Acabei de assistir a um vídeo, que meu marido me mandou, chamado Offer, da Allanis.
Ele me mandou porque me conhece bem, sabe o quanto o que o vídeo retrata me toca, sabe que, depois dos meus filhos, o que mais me preocupa na vida são crianças que não tem a chance de ser crianças...crianças famintas, crianças com medo, crianças no abandono, crianças sem esperança.
Sei que já falei sobre isso aqui, mas falarei de novo, e quantas vezes for preciso : Façam algo!!!!!!!!
Eu não suporto mais a injustiça social. Mas, mais do que isso, eu não suporto mais ver meus semelhantes não fazerem nada por essas crianças.
Eu não suporto mais ver as pessoas gastando tanto dinheiro em carros, roupas, viagens, enquanto pequenas crianças tem apenas pele e osso.
Sobretudo, eu não suporto mais me ver derrapando em meus próprios ideais, e me pegar errando, e sendo perdulária, e sendo inconsequente, enquanto essas crianças morrem de fome.
Eu não suporto mais pensar que um vestido do meu guarda roupa alimentaria uma família toda.
Que direito eu tenho de ter um vestido tão caro?
Não acho que eu tenha esse direito.
Não espero que alguém concorde comigo, ou me entenda.
Caso alguém ainda não tenha percebido, esse blog é de mim para mim mesma. Não escrevo para ninguém, eu escrevo para mim.
Escrevo para lembrar-me de quem eu sou, e quais são meus deveres.
É meu dever ajudar as crianças que precisam de mim.
É meu dever ajudar essas crianças a serem alimentadas.
É meu dever não deixá-las com frio.
É meu dever não deixá-las no escuro.
É meu dever fazer com que se sintam amadas.
É meu dever zelar pela saúde delas.
É meu dever lembrar que eu não preciso de mais um casaco, ou de mais um vestido.
É meu dever doar, e repartir, e partilhar...
É meu dever ensinar aos meus filhos que esses deveres também são deles!
É meu dever não deixar que essas crianças sintam medo.
É meu dever não me esquecer...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Maria, Maria
Tenho duas irmãs.
São elas Rita e Raquel.
Quando eu era bem pequena, nas brincadeiras de infância, minhas amigas sempre escolhiam nomes das atrizes de novela para encarnarem um personagem na brincadeira, ou uma cantora famosa...
Eu não! Eu sempre fui Rita ou Raquel.
Sempre tive adoração pelas minhas irmãs.
Elas sempre foram, para mim, as moças mais bonitas, mais inteligentes, mais interessantes de todo o mundo.
Sempre as achei lindas!
Sempre invejei a cumplicidade que há entre elas. Elas tem, entre suas idades, somente 11 meses de diferença. Eu sou 15 anos mais nova que a Rita e 14 anos mais nova que a Raquel.
Sempre quis ser uma delas.
Minha irmã Rita é a pessoa mais engraçada que eu conheço. Ela não pretende sê-lo, o que torna tudo melhor ainda.
A Rita me faz rir, pela sua maneira de ser, pelo seu jeito de falar, pelo seu raciocínio rápido.
A Rita é guerreira!
A Rita recebe a mim, a meu marido e a meus filhos, todo Julho, em sua casa em Goiás, como se fôssemos visitantes especiais. Ela nos acolhe, nos insere em sua vida, e com ela tenho momentos que posso dizer como dentre os mais prazeirosos de minha história.
A Rita é das mulheres mais charmosas que conheço.
A Rita, assim como eu, é mãe de filhos homens e nela espelho-me, porque admiro o tipo de mãe que ela é. Quero, no futuro, ter com meus filhos a relação que ela construiu com os filhos dela.
Ela é minha madrinha de batismo e de casamento. Ela batizou meu filho caçula.
Se algo me acontecer nessa vida, é a ela que confio os meus meninos.
Minha irmã Raquel é a pessoa mais generosa que conheço. Ela me deu teto quando eu não o tinha, ela me deu um emprego que eu amo e pelo qual sou bem remunerada, ela me deu um trabalho íntegro, honesto, que me faz aprender dia a dia e me faz crescer.
A Raquel é justa, direta, transparente. Ela é dona do riso solto que eu tanto gosto. Com ela exercito meu humor mais negro, mas isso fica sempre entre nós (entre nós três, porque também o dividimos com a Rita. Deus é tão sábio que deu a nós três o mesmo tipo de humor).
A Raquel me deu a possibilidade de ter a minha casa.
A Raquel me deu uma adolescência resplandescente, só pela possibilidade de ser minha amiga. Quando nenhuma das minhas amigas tinha uma irmã mais velha como ela, a Raquel me aconselhava, me ensinava, me contava bobagens e me ensinava a tocar Fantastic Voyage no violão.
Enquanto elas não tinham ninguém, eu tinha a Raquel.
E era o máximo ter a Raquel.
É o máximo ter a Raquel até hoje.
A Raquel é uma das melhores amigas que os meus filhos tem.
Em um mundo como o de hoje, onde muitos irmãos não se reconhecem, eu tenho em meus irmãos um porto seguro.
Tenho nas minhas irmãs a certeza de ser amada, de ser especial, de ser decente.
Devo ter feito algo muito bom nessa vida, para ser merecedora de tamanha dádiva.
Minhas irmãs são um presente.
Minhas irmãs me lembram de meu passado, não me deixam desviar de meu presente e são uma fonte constante e prazeirosa das possibilidades de meu futuro.
Minhas queridas, guardem um lugar para mim, na casa de vocês.
São elas Rita e Raquel.
Quando eu era bem pequena, nas brincadeiras de infância, minhas amigas sempre escolhiam nomes das atrizes de novela para encarnarem um personagem na brincadeira, ou uma cantora famosa...
Eu não! Eu sempre fui Rita ou Raquel.
Sempre tive adoração pelas minhas irmãs.
Elas sempre foram, para mim, as moças mais bonitas, mais inteligentes, mais interessantes de todo o mundo.
Sempre as achei lindas!
Sempre invejei a cumplicidade que há entre elas. Elas tem, entre suas idades, somente 11 meses de diferença. Eu sou 15 anos mais nova que a Rita e 14 anos mais nova que a Raquel.
Sempre quis ser uma delas.
Minha irmã Rita é a pessoa mais engraçada que eu conheço. Ela não pretende sê-lo, o que torna tudo melhor ainda.
A Rita me faz rir, pela sua maneira de ser, pelo seu jeito de falar, pelo seu raciocínio rápido.
A Rita é guerreira!
A Rita recebe a mim, a meu marido e a meus filhos, todo Julho, em sua casa em Goiás, como se fôssemos visitantes especiais. Ela nos acolhe, nos insere em sua vida, e com ela tenho momentos que posso dizer como dentre os mais prazeirosos de minha história.
A Rita é das mulheres mais charmosas que conheço.
A Rita, assim como eu, é mãe de filhos homens e nela espelho-me, porque admiro o tipo de mãe que ela é. Quero, no futuro, ter com meus filhos a relação que ela construiu com os filhos dela.
Ela é minha madrinha de batismo e de casamento. Ela batizou meu filho caçula.
Se algo me acontecer nessa vida, é a ela que confio os meus meninos.
Minha irmã Raquel é a pessoa mais generosa que conheço. Ela me deu teto quando eu não o tinha, ela me deu um emprego que eu amo e pelo qual sou bem remunerada, ela me deu um trabalho íntegro, honesto, que me faz aprender dia a dia e me faz crescer.
A Raquel é justa, direta, transparente. Ela é dona do riso solto que eu tanto gosto. Com ela exercito meu humor mais negro, mas isso fica sempre entre nós (entre nós três, porque também o dividimos com a Rita. Deus é tão sábio que deu a nós três o mesmo tipo de humor).
A Raquel me deu a possibilidade de ter a minha casa.
A Raquel me deu uma adolescência resplandescente, só pela possibilidade de ser minha amiga. Quando nenhuma das minhas amigas tinha uma irmã mais velha como ela, a Raquel me aconselhava, me ensinava, me contava bobagens e me ensinava a tocar Fantastic Voyage no violão.
Enquanto elas não tinham ninguém, eu tinha a Raquel.
E era o máximo ter a Raquel.
É o máximo ter a Raquel até hoje.
A Raquel é uma das melhores amigas que os meus filhos tem.
Em um mundo como o de hoje, onde muitos irmãos não se reconhecem, eu tenho em meus irmãos um porto seguro.
Tenho nas minhas irmãs a certeza de ser amada, de ser especial, de ser decente.
Devo ter feito algo muito bom nessa vida, para ser merecedora de tamanha dádiva.
Minhas irmãs são um presente.
Minhas irmãs me lembram de meu passado, não me deixam desviar de meu presente e são uma fonte constante e prazeirosa das possibilidades de meu futuro.
Minhas queridas, guardem um lugar para mim, na casa de vocês.
domingo, 12 de abril de 2009
Joeyzinho meu coração!
Palhaço!
P-A PA!, L-H-A LHA!, Ç-O ÇO!
Meu bebê tem 6 anos. Meu bebê soletra o tempo todo!
Meu bebê é fodido! Ele tem só 6 anos, mas é dono de uma força de vontade animalesca. Meu bebê vai chegar onde quiser chegar, porque meu bebê é o máximo!
Há 02 meses atrás o Joey, meu bebê, estava com medo de não ser capaz de aprender a ler. Ele estava inseguro, porque não sabia se seria capaz de juntar consoantes e vogais, formar sílabas, criar palavras...
E eu peguei meu bebê no colo, beijei sua pele lisinha e disse : "Bebê, você pode tudo!"
E a partir de então, meu bebê não só aprendeu a ler, e a escrever, como virou o maior soletrador da família. E em seu soletrar, ele passa a mim e, mais importante, a ele mesmo, a seguinte mensagem :
" Eu tudo posso, naquele que me fortalece!"
Porque meus filhos são entregues a Deus e nas mãos de Nossa Senhora eu deposito a vida de meus meninos. Porque sei que ela não me faltará, portanto nas mãos dela coloco minhas únicas riquezas...
Meu bebê já soletra, e como soletra bem!
O meu bebê, que eu tanto sofri para deixar na escola para voltar a trabalhar. Não por falta de segurança na escola, porque a confiança já estava assegurada, mas só porque eu queria ficar com ele...
O meu bebê, que dormiu no meu colo initerruptamente, e mamou no meu peito, e dormiu no meu colo, e mamou no meu peito...meu Jojo!
Meu bebê que nunca me deu um pingo de trabalho.
Meu bebê que só me dá amor!
Quando eu estava grávida do meu bebê, tive um pequeno sangramento no início da gravidez, porque enlouqueci demais, e torci demais, na Copa do Mundo de 2002.
Não havia o menor perigo para a gestação, mas mesmo assim, eu morri de medo. Eu estava grávida de 3 meses.
Fiz promessas mil para que eu não perdesse o bebê.
Fiz orações mil a Nossa Senhora (sempre ela!).
Ouvi de algumas pessoas : "Calma, se algo acontecer, você engravida de novo"
O que essas pessoas não sabiam é que eu não queria engravidar de novo, eu SÓ queria o meu bebê.
E nada aconteceu com o meu bebê. Ele veio perfeito, maravilhoso, soletrador.
E hoje eu penso, que nenhuma outra gravidez me traria ELE. Porque ELE é único e eu sabia disso, e por isso me apeguei tão fortemente à essa gravidez. Porque era a gravidez do meu bebê.
E hoje eu vejo que meu bebê soletrador foi feito para mim e eu , essa mamãe rock and roller, fui feita para ele.
E eu sou tão feliz assim!
Porque tudo é tão perfeito!
P-A PA!, L-H-A LHA!, Ç-O ÇO!
Meu bebê tem 6 anos. Meu bebê soletra o tempo todo!
Meu bebê é fodido! Ele tem só 6 anos, mas é dono de uma força de vontade animalesca. Meu bebê vai chegar onde quiser chegar, porque meu bebê é o máximo!
Há 02 meses atrás o Joey, meu bebê, estava com medo de não ser capaz de aprender a ler. Ele estava inseguro, porque não sabia se seria capaz de juntar consoantes e vogais, formar sílabas, criar palavras...
E eu peguei meu bebê no colo, beijei sua pele lisinha e disse : "Bebê, você pode tudo!"
E a partir de então, meu bebê não só aprendeu a ler, e a escrever, como virou o maior soletrador da família. E em seu soletrar, ele passa a mim e, mais importante, a ele mesmo, a seguinte mensagem :
" Eu tudo posso, naquele que me fortalece!"
Porque meus filhos são entregues a Deus e nas mãos de Nossa Senhora eu deposito a vida de meus meninos. Porque sei que ela não me faltará, portanto nas mãos dela coloco minhas únicas riquezas...
Meu bebê já soletra, e como soletra bem!
O meu bebê, que eu tanto sofri para deixar na escola para voltar a trabalhar. Não por falta de segurança na escola, porque a confiança já estava assegurada, mas só porque eu queria ficar com ele...
O meu bebê, que dormiu no meu colo initerruptamente, e mamou no meu peito, e dormiu no meu colo, e mamou no meu peito...meu Jojo!
Meu bebê que nunca me deu um pingo de trabalho.
Meu bebê que só me dá amor!
Quando eu estava grávida do meu bebê, tive um pequeno sangramento no início da gravidez, porque enlouqueci demais, e torci demais, na Copa do Mundo de 2002.
Não havia o menor perigo para a gestação, mas mesmo assim, eu morri de medo. Eu estava grávida de 3 meses.
Fiz promessas mil para que eu não perdesse o bebê.
Fiz orações mil a Nossa Senhora (sempre ela!).
Ouvi de algumas pessoas : "Calma, se algo acontecer, você engravida de novo"
O que essas pessoas não sabiam é que eu não queria engravidar de novo, eu SÓ queria o meu bebê.
E nada aconteceu com o meu bebê. Ele veio perfeito, maravilhoso, soletrador.
E hoje eu penso, que nenhuma outra gravidez me traria ELE. Porque ELE é único e eu sabia disso, e por isso me apeguei tão fortemente à essa gravidez. Porque era a gravidez do meu bebê.
E hoje eu vejo que meu bebê soletrador foi feito para mim e eu , essa mamãe rock and roller, fui feita para ele.
E eu sou tão feliz assim!
Porque tudo é tão perfeito!
domingo, 5 de abril de 2009
And she says: "- You look so much younger..." and he replays : "- Just outside."
"Você está tão mais jovem!"
"Só por fora..."
Eu amo cinema. Sou viciada mesmo, adoro, vou para outra dimensão.
Quando não tinha filhos, ia todos os finais de semana ao cinema, às vezes mais de uma vez. Nunca precisei de companhia para ir ao cinema, se não havia ninguém para ir comigo, eu ia sozinha sem problema algum.
Hoje em dia, chego a tirar férias em períodos particularmente recheados de bons filmes, só para poder assistí-los no cinema.
Ir ao cinema é uma experiência única, que não tem absolutamente nada a ver com assistir a um filme em DVD, por melhor que seja o Home Theater que se tenha em casa.
Meu melhor programa é ir ao cinema com o Klau, assistir a um bom filme. Através dos filmes, revemos nossas próprias trajetórias, ou rimos de nossas próprias falhas.
Sean Penn, Javier Bardem, Daniel Day Lewis, Clint Eastwood me arrastam para o cinema, sempre.
Muitos filmes me despertam emoções fortes, lembranças de algo distante que às vezes nem eu mesma sei nomear.
Alguns poucos filmes instalam-se na minha vida, mudando-a de alguma forma.
Depois deles minha vida adquire uma luz diferente.
O pequeno diálogo que abre essa postagem faz parte de "O Curioso Caso de Benjamin Button".
Mais do que qualquer outro filme, esse me atirou em pensamentos e me tirou dos meus próprios conceitos.
Claro, todo mundo gostou do filme, alguns mais, outros menos, mas todos gostaram. O filme é muitíssimo bem feito, os atores são ótimos, o enredo bem escrito etc.
Mas não, não foi isso que aconteceu comigo. Por algo que nem sei explicar, esse filme explodiu algo em mim.
A história trouxe para a superfície da minha alma alguma luz que há tempos talvez estivesse fraca, ou esgarçou algumas fibras de minha personalidade que talvez eu nem soubesse que tinha.
Não sei, sinceramente não sei.
O que sei é que, conforme o filme se desenrolava na tela, eu, silenciosamente, agradecia por estar ali. Agradecia por ter olhos para assistí-lo, ouvidos para ouví-lo...
E conforme a linha do tempo se mostrava inexorável, eu chorava.
E o tempo, sempre o tempo ("És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho....tempo, tempo, tempo, tempo...não serei nem terás sido, tempo tempo tempo tempo").
E eu precisava assistí-lo novamente, com a minha mãe. Talvez pela proximidade de nossa relação, talvez por ela conhecer-me tão bem , talvez por eu querer que ela me conheça melhor ainda, eu não sosseguei enquanto não assisti novamente ao filme, dessa vez com ela.
Realmente não sei, não há nada que me ajude a explicar.
A verdade é que o filme me emocionou demais.
Talvez, assim como os personagens, eu também viva uma grande história de amor.
E talvez eu fique feliz por eles e fique feliz por nós.
A verdade é que, da mesma forma que aconteceu com Benjamin no final do filme, eu também espero que aconteça comigo e que eu tenha, nos meus últimos momentos, alguém que me embale.
"Só por fora..."
Eu amo cinema. Sou viciada mesmo, adoro, vou para outra dimensão.
Quando não tinha filhos, ia todos os finais de semana ao cinema, às vezes mais de uma vez. Nunca precisei de companhia para ir ao cinema, se não havia ninguém para ir comigo, eu ia sozinha sem problema algum.
Hoje em dia, chego a tirar férias em períodos particularmente recheados de bons filmes, só para poder assistí-los no cinema.
Ir ao cinema é uma experiência única, que não tem absolutamente nada a ver com assistir a um filme em DVD, por melhor que seja o Home Theater que se tenha em casa.
Meu melhor programa é ir ao cinema com o Klau, assistir a um bom filme. Através dos filmes, revemos nossas próprias trajetórias, ou rimos de nossas próprias falhas.
Sean Penn, Javier Bardem, Daniel Day Lewis, Clint Eastwood me arrastam para o cinema, sempre.
Muitos filmes me despertam emoções fortes, lembranças de algo distante que às vezes nem eu mesma sei nomear.
Alguns poucos filmes instalam-se na minha vida, mudando-a de alguma forma.
Depois deles minha vida adquire uma luz diferente.
O pequeno diálogo que abre essa postagem faz parte de "O Curioso Caso de Benjamin Button".
Mais do que qualquer outro filme, esse me atirou em pensamentos e me tirou dos meus próprios conceitos.
Claro, todo mundo gostou do filme, alguns mais, outros menos, mas todos gostaram. O filme é muitíssimo bem feito, os atores são ótimos, o enredo bem escrito etc.
Mas não, não foi isso que aconteceu comigo. Por algo que nem sei explicar, esse filme explodiu algo em mim.
A história trouxe para a superfície da minha alma alguma luz que há tempos talvez estivesse fraca, ou esgarçou algumas fibras de minha personalidade que talvez eu nem soubesse que tinha.
Não sei, sinceramente não sei.
O que sei é que, conforme o filme se desenrolava na tela, eu, silenciosamente, agradecia por estar ali. Agradecia por ter olhos para assistí-lo, ouvidos para ouví-lo...
E conforme a linha do tempo se mostrava inexorável, eu chorava.
E o tempo, sempre o tempo ("És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho....tempo, tempo, tempo, tempo...não serei nem terás sido, tempo tempo tempo tempo").
E eu precisava assistí-lo novamente, com a minha mãe. Talvez pela proximidade de nossa relação, talvez por ela conhecer-me tão bem , talvez por eu querer que ela me conheça melhor ainda, eu não sosseguei enquanto não assisti novamente ao filme, dessa vez com ela.
Realmente não sei, não há nada que me ajude a explicar.
A verdade é que o filme me emocionou demais.
Talvez, assim como os personagens, eu também viva uma grande história de amor.
E talvez eu fique feliz por eles e fique feliz por nós.
A verdade é que, da mesma forma que aconteceu com Benjamin no final do filme, eu também espero que aconteça comigo e que eu tenha, nos meus últimos momentos, alguém que me embale.
domingo, 22 de março de 2009
CJK
Estou em Pirassununga. Estou escrevendo de Pirassununga, da casa dos meus pais.
Como sempre faço quando venho para Pira, corri muito nas ruas da cidade, ouvindo meu Ipod e suando muito (adoro!!!!) e visitei a Lelê e sua família. Dessa vez fomos todas tomar sorvete.
Como sempre, o Luigi, meu filho mais velho, me acompanhou nas minhas saídas. À exceção de quando saio para correr, ele sempre vai comigo a todos os lugares. Ele gosta de sair comigo, só nós dois; ele gosta que eu conte histórias de quando eu morava em Pira, ele gosta de participar da minha vida.
Ontem, após deixarmos a família da Lelê em casa, depois de termos tomado sorvete, fomos dar uma volta de carro, eu e o Lui.
Como sempre, senti-me impelida a passar em frente ao Kennedy, colégio onde estudei praticamente toda minha vida escolar pirassununguense.
Comentei com o Luigi que eu queria ver se era verdade mesmo que haviam pintado o colégio, eliminando sua cor clara original para um rosa amarronzado de gosto duvidoso (eu já sabia que haviam feito isso, mas pareceu-me o pretexto perfeito para passar por lá).
Realmente, meu colégio está parecendo um carro alegórico de uma escola de samba.
Eu não gostei, mas provavelmente eu não gostaria de nenhuma cor que não fosse a sua cor original, com a qual sua imagem fixou-se em minha memória.
Eu também não gostei quando construíram um novo prédio dentro do terreno da escola (mudando assim sua arquitetura original e seus espaços internos), eu também não gostei quando cimentaram o chão de terra batida e grama original (mudando assim o cheiro do meu colégio).
Porém, também mudaram os portões de acesso à entrada principal da escola. Antes, eram portões muito fechados, através dos quais pouco se enxergava. Como estou em Pirassununga apenas aos finais de semana, nunca podia ver minha escola por dentro, em função dos portões estarem sempre fechados.
Porém ontem, ao passar por lá com o Luigi, percebi que os novos portões permitem uma visão interna bem interessante. Sendo assim, parei o carro, grudei o nariz nos portões, assim como o Lui, e passei a contar para o meu filho onde ficavam as minhas classes de 1°, 2° e 3° colegial. Mostrei a escadaria por onde eu subia para a aula todos os dias, o pátio onde conversavamos e tomavamos nosso lanche (e fumavamos o nosso cigarro, antes da proibição de fumar dentro do colégio. Fumavamos muito, eu, que hoje nem fumo...mas fui uma adolescente dos anos 80 e toda a minha trupe fumava. Fumava-se nos anos 80).
Mostrei o banheiro, onde arquitetei planos mirabolantes para dar conta das coisas erradas que eu sempre queria fazer (fui uma aluna muito boa no que diz respeito às notas, mas meu comportamento passava longe do que poderia chamar-se de exemplar).
Mostrei as árvores e suas sombras, nas quais conversava sobre rock and roll, sempre. Em um tempo onde não havia Ipods, MP3s, celulares, internet, baixadores de música e nem CDs, carregávamos nossos LPs com todo cuidado e os reproduzíamos em fitas K7, para ouvirmos dentro dos carros da nossa turma.
Eu era a gravadora oficial de fitas K7, graças à minha invejável coleção de discos.
Mostrei a quadra, onde me acabava de jogar vôlei e queima, onde quebrei meu braço fugindo de um ataque mais violento em um jogo.
Mostrei ao Luigi minhas lembranças, talvez as melhores que tenho dessa época.
Mostrei a ele as lembranças de uma adolescência muito questionadora, mas também muito saúdável. Pois minha adolescência foi passada entre bons livros, bons discos, bons filmes, bons professores e boa informação. Nós líamos muito, isso é verdade.
E toda essa informação me permitia questionar, rebelar, transgredir.
Porque os adolescentes são feitos desse material.
E nesse material eu fui forjada. E esse material meu colégio me deu.
E hoje ainda, esse colégio me permite, através das minha lembranças, criar um vínculo inquebrável com meus filhos, pelas histórias contadas, pelas lembranças partilhadas.
Como sempre faço quando venho para Pira, corri muito nas ruas da cidade, ouvindo meu Ipod e suando muito (adoro!!!!) e visitei a Lelê e sua família. Dessa vez fomos todas tomar sorvete.
Como sempre, o Luigi, meu filho mais velho, me acompanhou nas minhas saídas. À exceção de quando saio para correr, ele sempre vai comigo a todos os lugares. Ele gosta de sair comigo, só nós dois; ele gosta que eu conte histórias de quando eu morava em Pira, ele gosta de participar da minha vida.
Ontem, após deixarmos a família da Lelê em casa, depois de termos tomado sorvete, fomos dar uma volta de carro, eu e o Lui.
Como sempre, senti-me impelida a passar em frente ao Kennedy, colégio onde estudei praticamente toda minha vida escolar pirassununguense.
Comentei com o Luigi que eu queria ver se era verdade mesmo que haviam pintado o colégio, eliminando sua cor clara original para um rosa amarronzado de gosto duvidoso (eu já sabia que haviam feito isso, mas pareceu-me o pretexto perfeito para passar por lá).
Realmente, meu colégio está parecendo um carro alegórico de uma escola de samba.
Eu não gostei, mas provavelmente eu não gostaria de nenhuma cor que não fosse a sua cor original, com a qual sua imagem fixou-se em minha memória.
Eu também não gostei quando construíram um novo prédio dentro do terreno da escola (mudando assim sua arquitetura original e seus espaços internos), eu também não gostei quando cimentaram o chão de terra batida e grama original (mudando assim o cheiro do meu colégio).
Porém, também mudaram os portões de acesso à entrada principal da escola. Antes, eram portões muito fechados, através dos quais pouco se enxergava. Como estou em Pirassununga apenas aos finais de semana, nunca podia ver minha escola por dentro, em função dos portões estarem sempre fechados.
Porém ontem, ao passar por lá com o Luigi, percebi que os novos portões permitem uma visão interna bem interessante. Sendo assim, parei o carro, grudei o nariz nos portões, assim como o Lui, e passei a contar para o meu filho onde ficavam as minhas classes de 1°, 2° e 3° colegial. Mostrei a escadaria por onde eu subia para a aula todos os dias, o pátio onde conversavamos e tomavamos nosso lanche (e fumavamos o nosso cigarro, antes da proibição de fumar dentro do colégio. Fumavamos muito, eu, que hoje nem fumo...mas fui uma adolescente dos anos 80 e toda a minha trupe fumava. Fumava-se nos anos 80).
Mostrei o banheiro, onde arquitetei planos mirabolantes para dar conta das coisas erradas que eu sempre queria fazer (fui uma aluna muito boa no que diz respeito às notas, mas meu comportamento passava longe do que poderia chamar-se de exemplar).
Mostrei as árvores e suas sombras, nas quais conversava sobre rock and roll, sempre. Em um tempo onde não havia Ipods, MP3s, celulares, internet, baixadores de música e nem CDs, carregávamos nossos LPs com todo cuidado e os reproduzíamos em fitas K7, para ouvirmos dentro dos carros da nossa turma.
Eu era a gravadora oficial de fitas K7, graças à minha invejável coleção de discos.
Mostrei a quadra, onde me acabava de jogar vôlei e queima, onde quebrei meu braço fugindo de um ataque mais violento em um jogo.
Mostrei ao Luigi minhas lembranças, talvez as melhores que tenho dessa época.
Mostrei a ele as lembranças de uma adolescência muito questionadora, mas também muito saúdável. Pois minha adolescência foi passada entre bons livros, bons discos, bons filmes, bons professores e boa informação. Nós líamos muito, isso é verdade.
E toda essa informação me permitia questionar, rebelar, transgredir.
Porque os adolescentes são feitos desse material.
E nesse material eu fui forjada. E esse material meu colégio me deu.
E hoje ainda, esse colégio me permite, através das minha lembranças, criar um vínculo inquebrável com meus filhos, pelas histórias contadas, pelas lembranças partilhadas.
domingo, 15 de março de 2009
Tia Yvonne
Como eu já disse várias vezes, eu gosto muito de crianças. Mais do que gostar até, eu me emociono com elas e com seu universo. Para mim, as crianças são as verdadeiras razões da vida, a única pureza genuína e tocante que conheço.
Os melhores adultos do mundo, no meu parecer, são aqueles que conseguem manter, em suas almas, o olhar infantil.
Crianças são minha paixão. Brancas, negras, pardas, amarelas, altas, baixas, meninos, meninas, ricas ou pobres.
Mas as crianças pobres tem minha especial atenção. E preocupação.
Tenho como objetivo de vida poder dedicar-me integralmente a elas.
Algumas pessoas dizem que quando tiverem criado seus filhos pretendem conhecer o mundo, ou criar animas em uma fazenda, ou ainda descansar em suas casas na praia...meu objetivo de futuro, no momento em que meus filhos estiverem criados, é dedicar-me às crianças pobres que precisarem de mim. Elas serão o mundo que quero conhecer, elas serão a fazenda que pretendo desbravar, elas serão minha casa na praia.
Há algum tempo atrás comecei a ler sobre uma mulher chamada Yvonne Bezerra de Mello.
A Yvonne é uma mulher carioca de classe alta que dedica sua vida às crianças pobres.
A Yvonne é aquela mulher que lutou pela condenação dos policiais envolvidos na Chacina da Candelária.
A Yvonne é aquela mulher que muitos chamam de louca e acusam de proteger bandidos, quando ela na verdade protege pequenas crianças, de forma que elas possam ter direito ao estudo e não se tornem bandidos. Dessa forma, a Yvonne protege também aqueles que nada fazem por essas crianças e ainda a criticam, pois a Yvonne tenta diminuir a marginalidade, fazendo com que seja possível que as peruas e os magnatas desfilem com suas jóias e carros importados sem serem perturbados pela pobreza, nos faróis e esquinas de suas cidades.
Assim eles podem desfilar suas posses sem ter que olhar suas próprias mazelas nos olhos infantis que os miram.
Podre consolo...podre ilusão!
A Yvonne tenta fazer com que essas crianças sejam vistas como as pessoas que realmente são, tendo acesso ao seu direito de ser criança, de ter estudo, de ter amor.
A Yvonne tem mais fracassos do que vitórias, porque o mundo é cruel e ele engole essas crianças. Ela perde a grande maioria delas para o tráfico e para a bandidagem, mas ela não desiste. Porque se ela consegue salvar uma, uma só, seu trabalho já é abençoado.
Eu quero ser como a Yvonne.
As crianças a chamam de tia Yvonne. Milhares de crianças vêem nela a fada boa.
Eu quero ser como ela.
Após muito ler sobre ela e sobre a fundação que ela criou no Rio de Janeiro, para apoiar e educar essas crianças (O Projeto Uerê), criei coragem e escrevi para ela. Mandei um email sem maiores pretensões, apenas parabenizando-a pelo trabalho, pela coragem e dedicação. Escrevi dizendo dos meus planos e do pequeno trabalho que atualmente faço em prol da infância marginalizada.
Escrevi a ela pedindo que não desista.
Ela respondeu-me após 10 minutos, dizendo : "Eu apareço em reportagens, mas somos todas nós que fazemos esse país andar para a frente."
Eu quero ser a tia Yvonne. E as crianças que precisarem de mim, me terão.
E através delas eu vou conhecer o mundo também, só que, diferentemente daqueles pessoas que viajam, eu vou conhecê-lo por dentro, podendo habitar o coração de cada criança que eu puder ajudar.
E esses corações, assim como os corações dos meus filhos, são o único mundo que eu quero conhecer.
Os melhores adultos do mundo, no meu parecer, são aqueles que conseguem manter, em suas almas, o olhar infantil.
Crianças são minha paixão. Brancas, negras, pardas, amarelas, altas, baixas, meninos, meninas, ricas ou pobres.
Mas as crianças pobres tem minha especial atenção. E preocupação.
Tenho como objetivo de vida poder dedicar-me integralmente a elas.
Algumas pessoas dizem que quando tiverem criado seus filhos pretendem conhecer o mundo, ou criar animas em uma fazenda, ou ainda descansar em suas casas na praia...meu objetivo de futuro, no momento em que meus filhos estiverem criados, é dedicar-me às crianças pobres que precisarem de mim. Elas serão o mundo que quero conhecer, elas serão a fazenda que pretendo desbravar, elas serão minha casa na praia.
Há algum tempo atrás comecei a ler sobre uma mulher chamada Yvonne Bezerra de Mello.
A Yvonne é uma mulher carioca de classe alta que dedica sua vida às crianças pobres.
A Yvonne é aquela mulher que lutou pela condenação dos policiais envolvidos na Chacina da Candelária.
A Yvonne é aquela mulher que muitos chamam de louca e acusam de proteger bandidos, quando ela na verdade protege pequenas crianças, de forma que elas possam ter direito ao estudo e não se tornem bandidos. Dessa forma, a Yvonne protege também aqueles que nada fazem por essas crianças e ainda a criticam, pois a Yvonne tenta diminuir a marginalidade, fazendo com que seja possível que as peruas e os magnatas desfilem com suas jóias e carros importados sem serem perturbados pela pobreza, nos faróis e esquinas de suas cidades.
Assim eles podem desfilar suas posses sem ter que olhar suas próprias mazelas nos olhos infantis que os miram.
Podre consolo...podre ilusão!
A Yvonne tenta fazer com que essas crianças sejam vistas como as pessoas que realmente são, tendo acesso ao seu direito de ser criança, de ter estudo, de ter amor.
A Yvonne tem mais fracassos do que vitórias, porque o mundo é cruel e ele engole essas crianças. Ela perde a grande maioria delas para o tráfico e para a bandidagem, mas ela não desiste. Porque se ela consegue salvar uma, uma só, seu trabalho já é abençoado.
Eu quero ser como a Yvonne.
As crianças a chamam de tia Yvonne. Milhares de crianças vêem nela a fada boa.
Eu quero ser como ela.
Após muito ler sobre ela e sobre a fundação que ela criou no Rio de Janeiro, para apoiar e educar essas crianças (O Projeto Uerê), criei coragem e escrevi para ela. Mandei um email sem maiores pretensões, apenas parabenizando-a pelo trabalho, pela coragem e dedicação. Escrevi dizendo dos meus planos e do pequeno trabalho que atualmente faço em prol da infância marginalizada.
Escrevi a ela pedindo que não desista.
Ela respondeu-me após 10 minutos, dizendo : "Eu apareço em reportagens, mas somos todas nós que fazemos esse país andar para a frente."
Eu quero ser a tia Yvonne. E as crianças que precisarem de mim, me terão.
E através delas eu vou conhecer o mundo também, só que, diferentemente daqueles pessoas que viajam, eu vou conhecê-lo por dentro, podendo habitar o coração de cada criança que eu puder ajudar.
E esses corações, assim como os corações dos meus filhos, são o único mundo que eu quero conhecer.
sábado, 14 de março de 2009
Cacildis!
Das minhas lembranças de infância, que são vastas, variadas e maravilhosas, algumas tem especial significado para mim.
Fui uma criança que assistiu pouco televisão, porque fui criada no interior, em uma cidade calma e em uma casa com um quintal enorme e com uma piscina convidativa, portanto grande parte da minha infância foi passada nesse quintal, ou ainda na rua da minha casa, onde jogava vôlei, ou queima, ou brincava de esconde esconde com as minhas amigas.
Porém, quando o domingo chegava e a noitinha ia caindo, eu não perdia, por nada desse mundo, o programa "Os Trapalhões".
Eu amava! A musiquinha de abertura (presente na mente de gerações, tenho certeza), eu ainda cantarolo de vez em quando. As palhaçadas dos quatro manés me deixavam encantada, e não havia melhor programa de TV para mim do que esse.
Eu gostava em especial do Didi e do Mussum. Do Didi eu curtia principalmente o riso que ele provocava em seus companheiros, com suas piadas que não constavam no roteiro e que, então, pegavam a todos de surpresa.
E do Mussum eu gostava do riso solto, leve e fácil. Eu gostava da maneira como ele falava e da ginga de malandro carioca. Eu gostava dos bordões que ele usava ("quero morrer preto se eu estiver mentindo"- era o meu favorito) e da maneira como terminava as palavras (Cacildis, forevis, revólvis...).
Eu não só assistia ao programa como todo ano ia ao cinema assistir aos filmes que eles lançavam. O pai de uma grande amiga levava a mim e a ela todos os anos, invariavelmente. Hoje, olhando para trás, tenho a clara certeza que ele gostava tanto ou mais do que a gente, pois ele também era e é uma criança grande, o Seu Edgar.
Dia desses, meus filhos ganharam da minha irmã Raquel, 2 caixas com 10 filmes dos Trapalhões. Incrivelmente a genética foi infalível nesse caso e eles, que já haviam assisitido a alguns filmes deles, amam os 4, assim como eu.
Obviamente que eu aproveitei o belo presente para matar a saudade, e me diverti com meus filhos vendo todas aquelas bobagens divinas, aquela graça circense e aquele humor ingênuo.
E, meu Deus, como foi bom.
Emocionei-me verdadeiramente, ao lembrar-me da menina que fui e das risadas que dei (tantas!!!) com esses 4 palhaços.
Com olhos de adulta, pude perceber que, sem a patrulha ideológica que hoje existe, eles podiam fazer brincadeiras que hoje seriam consideradas politicamente incorretas, mas que, na época, não tiveram efeito ruim algum sobre mim (e estou certa que sobre ninguém). O único efeito que essas brincadeiras tinham sobre mim era de soltar meu riso infantil, minha gargalhada mais genuína.
E chego a pensar, e não é sem pesar, que fui uma criança criada em um mundo mais puro ou mais ingênuo do que o de hoje.
Ou talvez não e eu esteja enganada, mas o certo é que eu cresci vendo as brincadeiras desses santos trapalhões e, politicamente corretas ou não, elas só fizeram de mim uma criança feliz.
Fui uma criança que assistiu pouco televisão, porque fui criada no interior, em uma cidade calma e em uma casa com um quintal enorme e com uma piscina convidativa, portanto grande parte da minha infância foi passada nesse quintal, ou ainda na rua da minha casa, onde jogava vôlei, ou queima, ou brincava de esconde esconde com as minhas amigas.
Porém, quando o domingo chegava e a noitinha ia caindo, eu não perdia, por nada desse mundo, o programa "Os Trapalhões".
Eu amava! A musiquinha de abertura (presente na mente de gerações, tenho certeza), eu ainda cantarolo de vez em quando. As palhaçadas dos quatro manés me deixavam encantada, e não havia melhor programa de TV para mim do que esse.
Eu gostava em especial do Didi e do Mussum. Do Didi eu curtia principalmente o riso que ele provocava em seus companheiros, com suas piadas que não constavam no roteiro e que, então, pegavam a todos de surpresa.
E do Mussum eu gostava do riso solto, leve e fácil. Eu gostava da maneira como ele falava e da ginga de malandro carioca. Eu gostava dos bordões que ele usava ("quero morrer preto se eu estiver mentindo"- era o meu favorito) e da maneira como terminava as palavras (Cacildis, forevis, revólvis...).
Eu não só assistia ao programa como todo ano ia ao cinema assistir aos filmes que eles lançavam. O pai de uma grande amiga levava a mim e a ela todos os anos, invariavelmente. Hoje, olhando para trás, tenho a clara certeza que ele gostava tanto ou mais do que a gente, pois ele também era e é uma criança grande, o Seu Edgar.
Dia desses, meus filhos ganharam da minha irmã Raquel, 2 caixas com 10 filmes dos Trapalhões. Incrivelmente a genética foi infalível nesse caso e eles, que já haviam assisitido a alguns filmes deles, amam os 4, assim como eu.
Obviamente que eu aproveitei o belo presente para matar a saudade, e me diverti com meus filhos vendo todas aquelas bobagens divinas, aquela graça circense e aquele humor ingênuo.
E, meu Deus, como foi bom.
Emocionei-me verdadeiramente, ao lembrar-me da menina que fui e das risadas que dei (tantas!!!) com esses 4 palhaços.
Com olhos de adulta, pude perceber que, sem a patrulha ideológica que hoje existe, eles podiam fazer brincadeiras que hoje seriam consideradas politicamente incorretas, mas que, na época, não tiveram efeito ruim algum sobre mim (e estou certa que sobre ninguém). O único efeito que essas brincadeiras tinham sobre mim era de soltar meu riso infantil, minha gargalhada mais genuína.
E chego a pensar, e não é sem pesar, que fui uma criança criada em um mundo mais puro ou mais ingênuo do que o de hoje.
Ou talvez não e eu esteja enganada, mas o certo é que eu cresci vendo as brincadeiras desses santos trapalhões e, politicamente corretas ou não, elas só fizeram de mim uma criança feliz.
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