domingo, 3 de janeiro de 2010

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E quando tudo dá errado, há de se começar tudo de novo...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

We are golden!

Há milhões de anos atrás (assim me parece), li um livro, o qual amei!
Eu nem namorava aquele que viria a ser o meu marido, mas em uma conversa que tive com ele à época (paquera pura!), disse a ele que estava lendo esse livro.
Eu o li escondido, porque o livro era da minha mãe e imaginei, naquele momento, que ela não me permitiria lê-lo.
Eu era nova demais!

Aquele que viria a ser o meu marido mostrou-se interessado no livro que eu estava lendo (o que uma paquera não faz!) e eu, após terminar o livro, emprestei-o a ele.

Quando começamos a namorar, algum tempo depois, decidimos, graças ao livro, que nossa filha se chamaria Meggie.

Nunca mais reli esse livro.
Li zilhões de livros depois desse.
Mas nenhum igual a esse.

Casei e tive dois filhos.
Dois meninos.
Ainda falta a Meggie...
Eu nem me lembrava mais do acordo feito sobre o nome da nossa menina, há milhões de anos atrás.

Meu filho mais velho gosta muito de ler e eu gosto muito que ele goste de ler.
Comecei a ir atrás de alguns livros que li durante a minha infância para que ele também pudesse lê-los. Alguns achei em livrarias, outros não.
Portanto comecei a procurá-los em sebos e achei todos eles.
Livros da Stella Carr, em sua maioria. Livros que marcaram minha infância.

Enquanto procurava os livros para o Luigi, tive a idéia de procurar também o meu velho livro.
O exemplar que eu li na minha juventude perdeu-se no tempo. Não sei onde foi parar.
Tive vontade de lê-lo novamente, em um misto de prazer e medo.
Prazer pelo reencontro.
Medo de que o encanto se quebrasse.

Juntamente com os livros para o Luigi, comprei novamente o velho livro.
Comecei a lê-lo.
Nem imaginava que, após tantos anos, essa experiência fosse ser tão marcante.

Conforme fui virando as páginas, as lembranças detalhadas foram tomando corpo na minha mente.
Lembrei-me das frases, e de como as palavras foram colocadas (em uma enorme perfeição). O impacto foi até maior do que me foi aos 14 anos de idade.
E eu era uma menina bem legal aos 14 anos de idade.

Cada palavra ocupa um lugar justo no livro. Cada expressão é perfeita e fez parte da minha história.
Degusto-o novamente. Degusto-o novamente e como se fosse pela primeira vez, de novo, o que é delicioso.
O encanto não se quebrou.

Nada é aleatório. Não acredito em simples coincidências.
Exatamente quando estávamos, eu e aquele que tornou-se meu marido, fazendo planos para a chegada da nossa menina, o velho livro voltou para a minha vida.

Meggie!

Nada é por acaso. O velho livro. Os planos e o acordo feito.


Nós não somos somente o que pensamos ser.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ninguém é uma ilha...

"Nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si só.
Se um pequeno torrão de terra, carregado pelo mar, deixa menor a Europa, também a morte de um único homem me diminui, porque eu pertenço à Humanidade"
John Donne

Tenho pensado bastante.
Pensado no caminho que minha vida tomou, e no quanto participei disso.
Pensado no quanto sonhei para mim e no quanto, apesar de não parecer, eu capitulo.

"Eu queria escrever um livro, eu queria compor uma música."

Dizem que no decorrer da vida, você deve plantar uma árvore e escrever um livro.
Plantei duas sementes nessa vida, duas árvores floridas, dois flamboyants de sombra gigante...e ainda não parei.
Escrevendo estou sempre. Se um dia esses escritos terão capa, não sei.
Nem sei se alguém quer lê-los. Escrevo para mim e quem sabe, para meus pais.
E quando eu não mais estiver por aqui, terei escrito para meus filhos.
Para o Lui, para o Joey e para aquela que está por vir.

Preocupo-me com o que me circunda e com o que eu mostro ser.

Hoje não foi um dia bom.
Tinha tudo para ter sido, mas não foi.
Mas também não foi um dia ruim.
Maluco isso, mas apesar de eu ter até chorado (de raiva!), não foi um dia ruim.
Porque, no meu choro, meus filhos cuidaram de mim.
Eles me acariciaram e ficaram, mais uma vez, do meu lado.
Então acho que não estou fazendo um mal trabalho.

Um dia vou envelhecer. Sou muito nova ainda para pensar sobre isso, mas um dia isso vai começar a acontecer.
Minimamente isso já vem ocorrendo, mas nesse estágio, o envelhecer é altamente relativo, porque só me torna mais sábia, mais segura, mais tranquila e mais bonita.
Um dia, esse envelhecer há de tornar-me mais lenta, mais pensativa, mais velha realmente.

Uma flor branca para minha vó, para a Mina e para a Dindinha.
Uma flor branca para a Marisa.
Um adeus para o Seu Jaime.

Só não quero faltar para alguém.
Quero ter dado a quem eu amo, absolutamente tudo o que eu poderia ter dado enquanto estava viva.
E quando eu passar a viver em outro espaço, em outro céu, só quero ter a tranquilidade de esperar por aqueles a quem eu amo de verdade, sabendo que eles continuaram a viver plenamente, a despeito de minha ausência.

Eu sou só uma mãe. É tudo o que eu quero ser, e tudo o que serei.
E meus filhos cuidam de mim, da mesma forma que eu cuido deles.
Pequenas mãos, me acariciando.

Não estou mais em primeiro lugar.
É uma experiência inigualável saber que você é capaz de dar a sua vida, facilmente, e sem hesitar, por outras pessoas.
Saber que você morreria, sem pensar duas vezes, por outras pessoas, que no fundo, são a melhor parte de você mesma.
Por eles preciso perdoar.

E os psicólogos dirão que isso não é saudável. E os terapeutas dirão que isso não é correto. E os psicanalistas tentarão descobrir algo nas entrelinhas.
Mas a verdade é que, a partir do momento que pari pela primeira vez, minha própria felicidade, da forma como costumava ser, é de menor valia.
Minha felicidade é a felicidade dessas duas pequenas almas que moram comigo.
Por elas, eu perdôo qualquer coisa.
Relevo qualquer coisa, para tornar suas vidas mais coloridas.

Mas o mais importante, além de perdoar, é esquecer.
Ainda sou uma aprendiz na arte do esquecimento.
Jamais esqueço...jamais!
Mas sou boa em perdoar.
E vou aprendendo afinal, estou só começando.

Ninguém é uma ilha.
Eu, certamente, não sou. Tenho dois braços fortes, feitos de terra firme, meus filhos, a me prender.
E meu coração, graças a eles, passa a ser um continente.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O lado esquerdo do peito

Hoje o dia amanheceu cinza e chuvoso. Após dias de calor extremo, o dia de hoje amanheceu frio, o que não acontecia há muito tempo.
Portanto, para uma amante do verão, o dia de hoje não tinha nada de especial.

Quando voltei do meu almoço, havia um envelope branco sobre minha mesa de trabalho, com meu nome escrito nele...somente o meu nome.
Perguntei quem havia colocado aquilo ali e me disseram que um motoboy havia trazido aquele envelope, endereçado a mim.

Dentro dele encontrei duas fotos. A primeira mostrava minha turma de colégio, no dia de nossa festa de formatura de 8ª série. Junto comigo na foto havia um monte de gente, alguns que eu vejo a toda hora porque carreguei comigo durante todo esse tempo e outros que não vejo há muitos, muitos anos.
Na outra foto estavam somente eu e duas grandes amigas. Elas estão lindas e delicadas, vestidas de branco. Eu estou de jaco preto e cabelo nos olhos. Minha fase rock and roll estava só começando...

Fiquei maravilhada; por alguns segundos, faltou-me o fôlego.
Degustei todos os detalhes.
Estou tão ali como hoje sinto-me aqui.

Me perguntei quem teria me mandado aquilo. Quem poderia ter tido o desprendimento de perder alguns momentos de seu dia, em um lugar tão caótico quanto São Paulo em uma sexta feira, só para me fazer feliz.

Sempre amei meu colégio. Os anos lá vividos estão entre os mais importantes da minha vida, no tocante à formação da pessoa que sou.
Portanto, amo tudo o que se refere a ele ou às pessoas que fizeram parte dessa história.

Sempre mantive contato com muitos dos meus amigos daquela época, mas depois de um tempo, perdi o contato com alguns que me eram muito importantes. Fiquei assim por muito tempo.
Um dia, há 5 anos atrás, comecei a me lembrar dessas pessoas e me surpreendi por não saber onde estavam. Como pude permitir que pessoas tão queridas se perdessem de mim?
Tive um trabalho danado mas, com a ajuda de algumas pessoas, consegui localizar todas elas e fizemos uma grande festa, a primeira de algumas que viriam.
Criamos um grupo na internet e nos falamos sempre.
Sei onde elas estão e isso, por si só, me faz feliz.

Hoje, ao abrir o envelope e ver as fotos, tive vontade de abraçar os meus amigos.

Quem teria tido o cuidado de fazer uma cópia dessas fotos e me mandá-las, justamente nesse dia cinzento?

E então, depois de várias horas, percebi que havia um pequeno bilhete dentro do envelope. Eu não o havia notado.
E pude saber quem havia me enviado as fotos.
E o bilhete dizia algo sobre a foto mostrar há quanto tempo estamos juntas (e é verdade). E dizia algo sobre o fato de termos, algumas vezes, não estado tão próximas, mas de sempre termos estado no coração uma da outra.

Essa minha amiga não tem a menor noção do quanto me fez feliz. Ela me fez muito mais feliz do que imagina ter feito.
Me fez feliz pelas fotos, pela bilhete adorável e pela constatação de carinho mútuo.
Pelo tempo dedicado a mim e à nossa amizade.
Pelos anos vividos e pelos que ainda vamos viver.
Pela cumplicidade, que só a amizade desenvolvida ao longo de uma existência é capaz de proporcionar.

Eu só agradeço, porque hoje, esse dia cinzento, foi um dia especial.

domingo, 29 de novembro de 2009

The ladder

Acordei bem cedo hoje. Os meninos também, mas eu acordei antes que todo mundo.
Na falta do que fazer, em um dia chuvoso que impediu nosso programa de ir correr e andar de bike no Villa Lobos, vim para o computador baixar música.
Como sempre, fiquei oscilando entre baixar coisas novas e minha infinita vontade de voltar a ouvir aquilo que há muito não ouço.

Depois de um certo tempo, digitei Prince no buscador. Volta e meia baixo algo dele, apesar de ter tudo em CD. Quero tê-lo também no meu Ipod.
Se tem algo que reflete quem eu sou, são as músicas dele.

Entre seus grandes sucessos e outros nem tanto, conheço tudo.
E entre tudo o que conheço existe um disco em especial, que me é marcante.
Não é meu disco favorito dele, mas sim o que mais gosto.
Como assim?

O disco data de 1985 e foi lançado logo após o estouro da trilha sonora do filme Purple Rain. Chama-se "Around the world in a day" e seu lançamento foi, lembro-me bem, sem publicidade alguma.
Fui uma das primeiras pessoas a tê-lo, tenho certeza. Mesmo antes do disco ser lançado no Brasil, algum irmão meu conseguiu gravá-lo em uma fita K7 para mim.
Compartilhei suas músicas e minhas impressões com uma amiga em especial, milhares, milhões de vezes.

Era inverno e fazia muito frio em Pirassununga.
Eu contava os minutos para minhas aulas acabarem, chegava em casa e deitava no chão do meu quarto, banhado com a luz do sol do inverno do interior, colocava minha fita K7 no meu rádio, fechava os olhos e era tomada por aquelas músicas, que me levavam a lugares inacreditáveis.
Eu tinha 15 anos e viajei o mundo com aquele disco.
Around the world in a day, sim!

Quando o disco foi lançado no Brasil, eu já sabia cada nuance de suas músicas de cor.
Ganhei-o de algum outro irmão, logo no seu lançamento.

E a capa...milhares de pequenos detalhes, degustados, em infinitos tons de azul.
E finalmente, as letras.
Pequenos trechos que eu não conseguia entender foram-me desvendados em cada audição detalhada.

Foi tão marcante e tão intenso como só se consegue ser aos 15 anos.

É por isso que só temos 15 anos uma única vez na vida.
Meu coração provavelmente não aguentaria tamanha intensidade novamente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O carrosel

Gostei desse negócio de escrever enquanto ouço música.
Exatamente agora estou ouvindo "Watching the wheels" do Lennon.

Sou muito boa em algumas coisas, não tão boas em outras. É natural.
Sou boa em ter filhos. Literalmente, em tê-los: meus partos são rápidos, naturais e quase indolores.
Acho-me uma boa mãe. Acho que ser mãe é o que sei fazer de melhor no mundo.

Sou boa amiga e sou boa filha.
Nunca abandono meus amigos, e nunca vou abandonar meus pais, da mesma forma que eles nunca me abandonaram.

Sou boa com música e com as palavras.
Tenho um ouvido mega musical. Até eu me surpreendo com a capacidade dele.

Sou muito boa com bebês. Eles gostam de mim e eu sempre, sempre, gosto deles.
Sou boa em cuidar deles.

Sou boa com crianças de maneira geral, principalmente se elas não tem uma mãe chata, que tem medo de mim. As crianças costumam gostar de mim mais do que suas mães gostam, o que não me importa nem um pouco, uma vez que eu também gosto mais delas do que de suas mães.

Sou uma boa tia para as minhas sobrinhas e uma boa irmã para meus irmãos e irmãs.

Acho que sou uma boa mulher para meu marido.

Sou boa com meu passado, com meu presente e com meu futuro. Não exijo muito do meu futuro e nem me cobro muito quanto ao meu passado.
E o meu presente, eu vivo.
Tenho dois corações infantis pulsando aqui do meu lado, todos os dias, então eu só vivo para eles. Eu vou vivendo, e vou fazendo, e vou corrigindo a rota, e vou alimentando esse dois pequenos corações.
E só.

Me preparo para o próximo coração infantil que, em breve, vai morar nessa casa.
Um coração de menina (assim quer o Klauter, e eu aceito). Estamos escolhendo o nome dela e eu já a imagino.
Não vou "pegar" uma bebê para criar. Não vou pegar ninguém. Eu só vou buscá-la, quando ela chegar, porque ela já é minha e não se "pega" aquilo que já é seu.
Eu só tenho que ir buscá-la, e eu vou.
Minha pequena.
Sou boa nisso também.

Sou boa em gostar de gente.
Não costumo julgar, apenas gosto.
E gosto de uma imensidão de gente, uma mar de gente.
E sempre tem gente entrando nesse mar.

Sou boa em dançar, em correr, em amar.
Faço as três atividades com todo o meu coração.

Sou boa em lembrar, sou boa em não esquecer.

Nunca fui boa com plantas.
Apesar de ter sido criada, e ter sido a queridinha de uma mãe muito boa com plantas, eu nunca fui boa com elas.
Talvez por falta de empenho da minha parte, as poucas plantas que tive sempre morreram, mais cedo ou mais tarde, na minha mão.
E se não morreram, sobreviveram por mérito unicamente delas. Foram sobreviventes.

Cresci vendo minha mãe cuidar de seus jardins incrivelmente bonitos e floridos e tenho fincado em mim o cheiro do chão do quintal da minha casa ao ser molhado pela água que minha mãe usava para regar suas plantas.
O jardim da minha mãe sempre foi, e é, um espetáculo.

Comecei a pensar que eu gostaria de deixar um pouco dessa memória também para meus filhos.
Se não um quintal, ao menos uma varanda com flores.

Agora elas estão lá, na minha varanda. Não são mais meramente sobreviventes.
Eu as rego, coloco ou tiro do sol, alimento os passarinhos que invadem a varanda com néctar fresco e assim vou, torcendo para que não morram.

O Klauter trouxe, há algum tempo, um vaso de orquídeas maravilhoso para casa. Enquanto estava florido, o vaso ficou na sala.
Depois foi morar na varanda.

Minha mãe me disse que as orquídeas não gostam de água em excesso e nem de luz do sol direta sobre ela.

O vaso está lá, só com as folhas. Mas não morreu.
Eu cuido dele e o rego com parcimônia (as orquídeas não gostam de água em excesso, lembre-se) e o protejo da luz do sol direta.

Hoje caiu uma chuva muito forte. Fiquei na varanda, enquanto a chuva invadia o chão e molhava meus pés.
À minha direita estava o vaso.
E então, ao olhar para ele, percebi que está cheio, lotado de botões.
Outras orquídeas vão nascer em breve. Várias delas.
Fiquei muito feliz. Pelas flores e por mim.

Aos 39 anos, eu ainda estou crescendo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

He´s still around

Durante os últimos dias, ou semanas, passei por aquilo que defino como "fortes emoções".
Como sempre, as alimentei.

Vi pessoas que não via há anos, tive saudade de tempos que eram bons demais.
Pensei na menina que eu era, e na mulher que sou e de como nós duas ainda somos parecidas, se não quase idênticas.
Ainda sou eu mesma.

A minha saudade sempre dói.

Minha amiga está grávida. Depois de tantos anos, ela engravidou de novo. A minha querida amiga está tão feliz, e é tudo tão novo, de novo, para ela.
Lembro de quando eu morava com ela, na república, e fazíamos faculdade, e tudo era tão descompromissado. Éramos quase malucas, e ríamos...ainda rimos tanto, e ainda somos, juntas, um pouco malucas, e é por isso que gosto tanto dela.
E ela está tão feliz.

Fui ao shopping dia desses e estava tocando, no som ambiente de uma loja, a música dos meus 16 anos. Não é a música típica de se tocar em uma rádio, então foi um presente de Deus para mim : "But the side of you they'll never see, is when you're left alone with the memories, that hold your life together like glue".
Parei o que estava fazendo, fiquei em pé no meio do saguão, fechei os olhos e ouvi. Ouvi até o último acorde; era só o que eu poderia fazer, a música tocava para mim.

Tenho ouvido "Charlotte Sometimes".
É, eu alimento.

Meu amigo me escreveu um email. Quase nunca nos falamos, por algumas razões que fogem ao meu controle, mas ainda assim, somos grandes amigos.
Eu tinha certeza que ele me escreveria e ele me escreveu.
Carinho sempre.
Ainda sou eu mesma.

Meu outro amigo me escreveu outro email, dentre os vários que ele sempre me escreve. E ele me conta que sua filha está engatinhando e que ele está feliz. E que ele está com saudades.
Nos falamos sempre e somos grandes amigos. Os melhores amigos.
Carinho sempre.
Ainda sou eu mesma.

Ontem, um amigo meu morreu.
Eu nem sabia que ele estava doente, acho que foi tudo muito rápido e só fiquei sabendo, assim de sopetão, que ele havia morrido.
Mal digeri a notícia ontem. Sou assim, algumas vezes esse tipo de coisa bate em mim "atrasado".
Só fiquei pensando no meu amigo.

Hoje chorei.
Pensei em quantas lutas do Mike Tyson assistimos juntos. Em quantas cervejas tomamos juntos, em quantas gargalhadas partilhamos.
Ele era um bom amigo, um amigo querido. E sempre me respeitou.
Fez parte da minha vida, durante muitos anos.
Isso não se esquece.

Ele gostava de mim e principalmente, ele gostava do Klauter.
E o Klauter gostava dele, e eu também gostava dele.
E ele gostava da gente.

Vou sentir saudades dele, muito mais do que estou sentindo agora.
Não existem muitas pessoas a quem podemos chamar de amigo, de verdade, nessa vida. Que gostem da gente de verdade.
Que gostem de quem a gente gosta.
Pois ele gostava.

Mais do que gostar de mim, ele gostava de quem eu gosto.
Sou agradecida por isso, porque sei que era de verdade.

A saudade vem das lembranças que temos.
Dos momentos bons que vivemos em algum lugar de nossas vidas.
Esses momentos estão no passado, porém as lembranças estão no presente.
Elas são fruto da recordação presente que temos do passado.
Então as lembranças estão aqui.
As lembranças do meu amigo estão aqui.
Portanto ele está presente.

Meu amigo ainda está por aqui.



(Texto escrito ao som de "This is the day" - The the)