Meu sobrenome é Queiroz e Souza.
Queiroz obviamente vem da minha mãe, vem de uma família de portugueses, vem da minha vó Maria (Carvalho), com quem tive muito contato, que ajudou-me a ser criada, que me deu amor, amor e amor.
Souza vem de meu pai, vem de uma família cheia de mistura, vem da Bahia e de mais outros lugares do interior do estado de São Paulo, traz sangue índio e holandês, vindo da invasão holandesa à Bahia há muito tempo atrás.
Durante bom tempo de minha vida optei por assinar Fabiana Queiroz, porque esse sobrenome é menos comum que Souza, e eu queria assim, diferenciar-me.
Depois que tornei-me adulta, percebi que eu diferenciava-me mesmo sendo Souza, porque trago em minha pele morena e em meu humor sarcástico, muito do sangue deles. Nunca mais deixei de assinar Queiroz e Souza.
Sou a mais nova de uma famíla bastante numerosa, quase uma temporona. Meu pai, como eu, é dos mais novos de uma família muito numerosa também, até mais do que a minha, que também é dele.
Com isso quero dizer que alguns dos irmãos de meu pai já tinham idade avançada quando eu nasci e não me lembro deles. Muito ouvi falar deles, mas alguns acho que não conheci, como meu Tio Fonsinho e de outros pouco me lembro, como meu tio Gero.
De outros lembro-me bem, mas tive pouco contato, como minha tia Talina, minha tia Leda, minha tia Nana ou ainda meu folclórico tio Liro. Não sei ao certo porque tive esse pouco contato, mas tenho algumas teorias sobre isso, mas como teorias, vou mantê-las só comigo.
Fato é que, apesar dos pesares, acabei tendo mais contato com a família de minha mãe que com a família de meu pai, durante minha infância e adolescência.
Meu pai é o cara mais especial do mundo. Sério, não conheço pessoa mais maravilhosa do que ele. Ele é a pessoa mais correta, íntegra e honesta que já conheci, e além de tudo isso, ele é engraçado.
Meu pai tem um senso de humor todo peculiar, um pouco negro, que eu adoro. Meu senso de humor é igualzinho ao dele.
Meu pai tem olhos astutos, espertos e atentos, que vasculham o mundo ao seu redor.
Meu pai foi uma criança pobre, que subiu na vida sem nunca, jamais, pisar ou aproveitar-se de alguém. Ao contrário, se ele teve a oportunidade de ajudar alguém enquanto progredia, ele assim o fez.
Meu pai cuidou dos pobres e necessitados e meu pai cuidou dos idosos abandonados por suas famílias.
Meu pai cuidou dos seus filhos. Meu pai cuida até hoje de seus filhos.
Se ele combinasse algo comigo, eu sabia que, independente do que quer que houvesse, ele honraria o combinado.
A palavra do meu pai vale ouro.
Meu pai é Souza.
Com o passar dos anos, conforme tornei-me mulher e mãe, notei o quanto Souza sou.
Sou emotiva como ele. Eu choro, eu grito, eu amo, eu sofro, eu me preocupo, eu festejo...exatamente como ele. Sou passional como ele.
Vou do céu à terra em questão de segundos, assim como ele.
Há algum tempo, o irmão caçula de meu pai, meu tio Gentil, começou a escrever um livro, exatamente sobre os Souza. Nesse livro ele conta passagens sobre os irmãos dele (e de meu pai), sobre seus pais (meus avós) e sobre seus avós (meus bisavós).
No último final de semana que fui para a casa dos meus pais no interior, tive acesso a esse livro e devorei-o, encantada. Li sobre meus tios que pouco conheci, sobre outros que não conheci. Li sobre meu avô Afonso, de quem lembro-me só um pouco e principalmente, li sobre minha vó Rita, a quem não conheci.
Minha avó Rita morreu quando meu pai tinha só 18 anos.
Minha vó Rita, a quem eu adoraria ter conhecido.
Minha vó Rita, em quem, ao ler o livro do meu tio, pude perceber tanta semelhança comigo.
No amor e abnegação pelos filhos, no trabalho, no nunca parar, na preocupação em estar presente, mesmo que em alma, na vida dos filhos.
Minha vó Rita, que só conheço por uma foto, uma somente, na mesa do escritório do meu pai.
Sei que a leitura desse livro mexeu comigo.
Vi em alguns de meus tios, características de meus irmãos.
Vi na minha vó, características minhas. Nas cartas que ela escrevia aos filhos, conforme eles saíam de casa, pude sentir seu coração acompanhando cada uma dessas cartas, para pousar sobre o peito de seus filhos.
Olho com orgulho para o meu pai, que teve uma infância pobre, mas repleta de amor, com uma mãe divina, a quem procuro imitar na educação de meus filhos. Sei dela pelo que meu pai me conta, emocionado.
Queira Deus que um dia, quando forem adultos, meus filhos falem de mim com essa mesma emoção.
Estive esse final de semana com minha tia Lola, irmã de meu pai, que em seus 93 anos, mantém um brilho nos olhos invejável. Conversei com ela, rimos juntas e servia-a de um copo de cerveja.
Vamos almoçar juntas no final do mês, está combinado. Vou almoçar com a grande Lola.
Minha vó Rita, que eu não conheci, de algum lugar no céu, olha por mim, assim como minha vó Maria, a quem conheci tão bem.
Juntas, nós três, vamos um dia celebrar.
E eu sou Souza, com todo orgulho.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Meus filhos, meu mundo
Sou canceriana, com muito orgulho. Isso, por si só, já diz muito de mim, para quem acredita em horóscopo. Nada na minha vida é mais importante do que a minha família.
Nem a música (que, em grande parte, me faz ser quem eu sou), nem meu trabalho (e eu amo o meu trabalho), nem a dança (e eu amo dançar), nem minhas amigas e nem eu mesma. Minha família está acima de tudo e no topo da montanha, estão meus filhos.
Por eles morro, por eles mato.
Ontem, meu filho mais velho, o Luigi, foi injustamente acusado. Ele foi acusado por algo que ele não fez. Foi algo até que corriqueiro, mas o Joey, meu filho mais novo, fez algo errado e não teve coragem de assumir e, assim sendo, a culpa recaiu sobre o Luigi.
Mesmo ele negando veementemente sua culpa, ainda assim as pessoas não acreditaram nele, e mostraram desconfiança.
Isso aconteceu ontem à tarde, enquanto eu trabalhava. Quando eu fui buscá-los, o Luigi me contou o que havia acontecido. Inicialmente fiquei muito brava com o Joey, por ele não ter assumido o erro, e fiz sermão, e fiz castigo...
Depois, conversando com o Luigi, e percebendo que não haviam dado o crédito devido à palavra do meu filho, me enfureci.
Chorei, esperneei, disse a ele que a palavra dele tinha mais valor que qualquer outra coisa no mundo e que deviam desculpas a ele...
Já pisei muito na bola com meus filhos. Sou uma mãe muito presente, mas não se esqueçam...eu sou canceriana. Eu exacerbo nas emoções (boas e ruins), eu brigo, eu amo, eu sofro, eu celebro...muito.
Porém, em todas as vezes que julguei ter pisado na bola com meus filhos, eu me desculpei. Se pisei na bola por uma bronca indevida, ou por um julgamento errado, ou por um tom de voz áspero...eu pedi desculpas, em todas as vezes, sem exceção. Meu coração está tranquilo quanto à isso.
Ontem, pisaram na bola com o Luigi. E, contrariando todo o exemplo que dou, não pediram desculpas ao Luigi. E eu fiquei enfurecida.
Mal dormi essa noite. Só em pensar que eu não estava lá para defendê-lo, eu sofri, e acordei durante a noite, e chorei durante a noite.
Enquanto isso, o Luigi dormia placidamente na sua cama.
O Luigi é um cara muito legal. Ele tem 8 anos, mas ele é realmente um cara especial. Ele sempre foi daquelas crianças de quem todo mundo gosta, porque ele é simpático, bem humorado, esperto, engraçado, dono de uma auto estima inabalável e de um senso de humor incrível.
O Luigi é meu filho mais velho, ele é meu grande companheiro, ele é meu amigo do peito.
O Luigi me mostrou o maior amor do mundo!
Ontem falharam com o meu filho. E eu fiquei tão triste, e ele, percebendo isso, tentou me acalmar, me consolar, me mostrar que não valia a pena ficar tão brava por tão pouco...mas eu sou canceriana, e pelos meus filhos eu morro, eu mato.
Quando o dia amanheceu, a primeira coisa que fiz ao colocar meus pés para fora de casa foi falar às pessoas que haviam pisado na bola com o Luigi, o que eu achava da postura e do ato delas e que, mesmo inconscientemente, elas haviam falhado com meu menino.
E disse ainda que o coração do Luigi é tão grande, e ele é tão perfeito, que mesmo na ausência das desculpas delas, ele já as havia perdoado.
Eu sei que essas pessoas que o magoaram gostam dele. Mas elas não haviam pedido desculpas a ele, mas eu as fiz pedir.
Porque meu filho é lindo e ninguém nesse mundo vai magoá-lo sem que eu tente defendê-lo.
Porque o coração do meu filho é enorme e, dentro de sua enormidade, ele deve ser respeitado.
E o Luigi sorriu ao meu ver defendendo-o. E ele sabe que é assim mesmo que a mãe dele é.
O Lugi sabe que, pelos meus filhos, eu morro, eu mato!
Nem a música (que, em grande parte, me faz ser quem eu sou), nem meu trabalho (e eu amo o meu trabalho), nem a dança (e eu amo dançar), nem minhas amigas e nem eu mesma. Minha família está acima de tudo e no topo da montanha, estão meus filhos.
Por eles morro, por eles mato.
Ontem, meu filho mais velho, o Luigi, foi injustamente acusado. Ele foi acusado por algo que ele não fez. Foi algo até que corriqueiro, mas o Joey, meu filho mais novo, fez algo errado e não teve coragem de assumir e, assim sendo, a culpa recaiu sobre o Luigi.
Mesmo ele negando veementemente sua culpa, ainda assim as pessoas não acreditaram nele, e mostraram desconfiança.
Isso aconteceu ontem à tarde, enquanto eu trabalhava. Quando eu fui buscá-los, o Luigi me contou o que havia acontecido. Inicialmente fiquei muito brava com o Joey, por ele não ter assumido o erro, e fiz sermão, e fiz castigo...
Depois, conversando com o Luigi, e percebendo que não haviam dado o crédito devido à palavra do meu filho, me enfureci.
Chorei, esperneei, disse a ele que a palavra dele tinha mais valor que qualquer outra coisa no mundo e que deviam desculpas a ele...
Já pisei muito na bola com meus filhos. Sou uma mãe muito presente, mas não se esqueçam...eu sou canceriana. Eu exacerbo nas emoções (boas e ruins), eu brigo, eu amo, eu sofro, eu celebro...muito.
Porém, em todas as vezes que julguei ter pisado na bola com meus filhos, eu me desculpei. Se pisei na bola por uma bronca indevida, ou por um julgamento errado, ou por um tom de voz áspero...eu pedi desculpas, em todas as vezes, sem exceção. Meu coração está tranquilo quanto à isso.
Ontem, pisaram na bola com o Luigi. E, contrariando todo o exemplo que dou, não pediram desculpas ao Luigi. E eu fiquei enfurecida.
Mal dormi essa noite. Só em pensar que eu não estava lá para defendê-lo, eu sofri, e acordei durante a noite, e chorei durante a noite.
Enquanto isso, o Luigi dormia placidamente na sua cama.
O Luigi é um cara muito legal. Ele tem 8 anos, mas ele é realmente um cara especial. Ele sempre foi daquelas crianças de quem todo mundo gosta, porque ele é simpático, bem humorado, esperto, engraçado, dono de uma auto estima inabalável e de um senso de humor incrível.
O Luigi é meu filho mais velho, ele é meu grande companheiro, ele é meu amigo do peito.
O Luigi me mostrou o maior amor do mundo!
Ontem falharam com o meu filho. E eu fiquei tão triste, e ele, percebendo isso, tentou me acalmar, me consolar, me mostrar que não valia a pena ficar tão brava por tão pouco...mas eu sou canceriana, e pelos meus filhos eu morro, eu mato.
Quando o dia amanheceu, a primeira coisa que fiz ao colocar meus pés para fora de casa foi falar às pessoas que haviam pisado na bola com o Luigi, o que eu achava da postura e do ato delas e que, mesmo inconscientemente, elas haviam falhado com meu menino.
E disse ainda que o coração do Luigi é tão grande, e ele é tão perfeito, que mesmo na ausência das desculpas delas, ele já as havia perdoado.
Eu sei que essas pessoas que o magoaram gostam dele. Mas elas não haviam pedido desculpas a ele, mas eu as fiz pedir.
Porque meu filho é lindo e ninguém nesse mundo vai magoá-lo sem que eu tente defendê-lo.
Porque o coração do meu filho é enorme e, dentro de sua enormidade, ele deve ser respeitado.
E o Luigi sorriu ao meu ver defendendo-o. E ele sabe que é assim mesmo que a mãe dele é.
O Lugi sabe que, pelos meus filhos, eu morro, eu mato!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Princesa Lelê
A Lelê tem quase 5 anos. Eu a conheci pessoalmente há 5 dias, e ela já mudou a minha vida.
A Lelê tem os cabelos lisos, franja, dentinhos pequenos, pernas compridas que querem pedalar uma bicicleta e o sorriso mais puro do mundo.
A Lelê tem uma voz linda, que narra o que acontece ao seu redor. A Lelê tem dedos ávidos por explorar a vida, e a cada exploração ela ri, e gargalha, e fica feliz.
A Lelê tem olhos castanhos, que fazem o seu rosto ser mais bonito ainda. Mas a Lelê não pode ver. A Lelê tem quase 5 anos, mas ela não pode ver, porque a Lelê é deficiente visual.
A Lelê foi colocada na minha vida. Quem a colocou na minha vida eu não sei dizer, mas prefiro pensar que foi Deus quem a colocou lá.
Eu fui conhecer a Lelê porque não pude fazer nada diferente disso. Foi impossível fugir. Desde o momento que soube que ela existia, eu só pensava nela, em como ela seria, e no que eu podia fazer para ajudá-la.
Eu fui conhecer a Lelê com a pretensão de poder ensinar algo, ajudar em algo. Mas a Lelê me mostrou que é ela quem vai me ensinar, é ela quem vai me ajudar.
A Lelê é linda de morrer!!!!
E a partir do momento que eu a vi, e conversei com ela, e ela me tocou, e passou suas mãos pelas minhas, e eu a vi explorando o quintal, rindo, eu corri atrás de todo o tipo de informação que eu pudesse ter que me ajudasse a mantê-la perto de mim.
"Você viu, um passarinho passou aqui" - ela me disse, usando sua audição apurada.
"Você sabe nadar, eu também vou saber, vou aprender..." (com certeza vai Lelê, você pode tudo!!!).
E eu fiquei surpresa em ver uma menininha tão pequena ser tão destemida. E eu fiquei tão agradecida de poder conhecê-la, de poder conversar com ela.
Eu disse a ela que eu quero ser amiga dela, quero poder conversar com ela, visitá-la sempre. Porque eu não vou mais conseguir ficar longe dela.
E fiquei tão feliz, porque ela deixou, ela me aceitou como amiga.
A Lelê se tornou parte de mim, e minha vida nunca mais será a mesma. Quero acompanhar seu crescimento, quero ter orgulho em dizer que faço parte de algo tão grandioso, tão perfeito. Porque, mesmo que digam o contrário, a Lelê é perfeita!!!!!
A Lelê não pode ver, mas a Lelê enxerga. E eu gosto de pensar que a Lelê enxergou em mim um pouco de amor, um pouco de carinho e pureza.
Eu fui até ela para ajudá-la. Mas a Lelê, com seus 5 anos incompletos, é que me ajudou. Ela me ajudou, dentro da improbabilidade do ato, a enxergar melhor. Porque depois da Lelê, o mundo tem outra cor para mim, e isso eu devo à ela.
Obrigada Lelê...
Eu vou mover montanhas por ela.
A Lelê é uma princesa.
E como tal será tratada!
A Lelê tem os cabelos lisos, franja, dentinhos pequenos, pernas compridas que querem pedalar uma bicicleta e o sorriso mais puro do mundo.
A Lelê tem uma voz linda, que narra o que acontece ao seu redor. A Lelê tem dedos ávidos por explorar a vida, e a cada exploração ela ri, e gargalha, e fica feliz.
A Lelê tem olhos castanhos, que fazem o seu rosto ser mais bonito ainda. Mas a Lelê não pode ver. A Lelê tem quase 5 anos, mas ela não pode ver, porque a Lelê é deficiente visual.
A Lelê foi colocada na minha vida. Quem a colocou na minha vida eu não sei dizer, mas prefiro pensar que foi Deus quem a colocou lá.
Eu fui conhecer a Lelê porque não pude fazer nada diferente disso. Foi impossível fugir. Desde o momento que soube que ela existia, eu só pensava nela, em como ela seria, e no que eu podia fazer para ajudá-la.
Eu fui conhecer a Lelê com a pretensão de poder ensinar algo, ajudar em algo. Mas a Lelê me mostrou que é ela quem vai me ensinar, é ela quem vai me ajudar.
A Lelê é linda de morrer!!!!
E a partir do momento que eu a vi, e conversei com ela, e ela me tocou, e passou suas mãos pelas minhas, e eu a vi explorando o quintal, rindo, eu corri atrás de todo o tipo de informação que eu pudesse ter que me ajudasse a mantê-la perto de mim.
"Você viu, um passarinho passou aqui" - ela me disse, usando sua audição apurada.
"Você sabe nadar, eu também vou saber, vou aprender..." (com certeza vai Lelê, você pode tudo!!!).
E eu fiquei surpresa em ver uma menininha tão pequena ser tão destemida. E eu fiquei tão agradecida de poder conhecê-la, de poder conversar com ela.
Eu disse a ela que eu quero ser amiga dela, quero poder conversar com ela, visitá-la sempre. Porque eu não vou mais conseguir ficar longe dela.
E fiquei tão feliz, porque ela deixou, ela me aceitou como amiga.
A Lelê se tornou parte de mim, e minha vida nunca mais será a mesma. Quero acompanhar seu crescimento, quero ter orgulho em dizer que faço parte de algo tão grandioso, tão perfeito. Porque, mesmo que digam o contrário, a Lelê é perfeita!!!!!
A Lelê não pode ver, mas a Lelê enxerga. E eu gosto de pensar que a Lelê enxergou em mim um pouco de amor, um pouco de carinho e pureza.
Eu fui até ela para ajudá-la. Mas a Lelê, com seus 5 anos incompletos, é que me ajudou. Ela me ajudou, dentro da improbabilidade do ato, a enxergar melhor. Porque depois da Lelê, o mundo tem outra cor para mim, e isso eu devo à ela.
Obrigada Lelê...
Eu vou mover montanhas por ela.
A Lelê é uma princesa.
E como tal será tratada!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
não me deixes
Il faut tout oublier
é preciso esquecer tudo
Tout peut s`outblier
tudo pode ser esquecido
Que s`enfuit déjà
o que nos escapa
Oublier le temps de malentendus
esquecer o tempo dos mal-entendidos
Et le temps perdue
o tempo perdido
À savoir comment
procurando saber como
Oublier ces heures
esquecer estas horas
Que tuaient parfois
que às vezes matam
Á coups de pourquois
com golpes de " porquês"
Le coeur du bonheur
o coração da felicidade
Ne me quitte pas
não me deixes
Moi, je t`offrirai
eu te oferecerei
Des perles de pluie
pérolas de chuva
Venues du pays
vindas de um país
Où il ne pleut pas
onde não chove
Je croiserai la terre
atravessarei a terra
Jusque près ma mort
até perto de minha morte
Pour couvrir ton corps
para cobrir teu corpo
D`or et de lumière
de ouro e luz
Je ferai un domaine
eu farei um lugar
Où l`amour sera roi
onde o amor será rei
Où l`amour sera loi
onde o amor será lei
Et tu sera reine
e tu serás rainha
Ne me quitte pas
não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
Je t`inventerai
eu te inventarei
Des mots insencés
palavras insensatas
Que tu comprendras
que tu compreenderás
Je te parlerai
vou te falar
De ces amants là
desses amantes
Que ont vu des fois
que às vezes viram
Leurs coeurs s`embraser
seus corações se incendiar
Je te raconterai
vou te contar
L`histoire de ce roi
a história desse rei
Mort de n`avoir pas
morto por não ter
Pu te rencontrer
podido te encontrar
Ne me quitte pas
não me deixes
On a vu souvent
tantas vezes vimos
Rejaillir le feu
renascer o fogo
De l`ancien volcan
do antigo vulcão
Qu`on croyait trop vieux
que acreditava-se velho demais
Il est, paraît`il
parece que tinha
Des terres brulées
terras queimadas
Donnant plus de blé
dando mais trigo
Qu`un meilleur avril
que a melhor colheita
Et comme bien des soirs
pois, em quantas tardes
Pour qu`un ciel flamboie
para que o céu fique flamejante
Le rouge et le noir
o vermelho e o negro
Ne s`épousent t`il pas ?
não se casam ?
Ne me quittes pas
não me deixes
Ne me quittes pas
não me deixes
Je ne veut plus pleurereu
não quero mais chorar
Je ne veut plus parler
não quero mais falar
Je me cacherai là
vou me esconder ali
À te regarder
só te olhando
Danser et sourire
dançar e sorrir
Et à te écoutere
te escutando
Chanter er puis
cantar, e depois rir
Laisse moi devenir
deixe que eu me transforme
L`ombre de ton ombre
na sombra da tua sombra
L`ombre de ta main
na sombra da tua mão
L`ombre de ton chein
ou na sombra do teu cão
Ne me quitte pas
mas não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
-------------------------------------------------------------------------------------------------
...
Deixe eu me transformar
na sombra da tua sombra
na sombra da tua mão
ou na sombra do teu cão
Que coisa linda, meu Deus!!!!
não me deixes
Il faut tout oublier
é preciso esquecer tudo
Tout peut s`outblier
tudo pode ser esquecido
Que s`enfuit déjà
o que nos escapa
Oublier le temps de malentendus
esquecer o tempo dos mal-entendidos
Et le temps perdue
o tempo perdido
À savoir comment
procurando saber como
Oublier ces heures
esquecer estas horas
Que tuaient parfois
que às vezes matam
Á coups de pourquois
com golpes de " porquês"
Le coeur du bonheur
o coração da felicidade
Ne me quitte pas
não me deixes
Moi, je t`offrirai
eu te oferecerei
Des perles de pluie
pérolas de chuva
Venues du pays
vindas de um país
Où il ne pleut pas
onde não chove
Je croiserai la terre
atravessarei a terra
Jusque près ma mort
até perto de minha morte
Pour couvrir ton corps
para cobrir teu corpo
D`or et de lumière
de ouro e luz
Je ferai un domaine
eu farei um lugar
Où l`amour sera roi
onde o amor será rei
Où l`amour sera loi
onde o amor será lei
Et tu sera reine
e tu serás rainha
Ne me quitte pas
não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
Je t`inventerai
eu te inventarei
Des mots insencés
palavras insensatas
Que tu comprendras
que tu compreenderás
Je te parlerai
vou te falar
De ces amants là
desses amantes
Que ont vu des fois
que às vezes viram
Leurs coeurs s`embraser
seus corações se incendiar
Je te raconterai
vou te contar
L`histoire de ce roi
a história desse rei
Mort de n`avoir pas
morto por não ter
Pu te rencontrer
podido te encontrar
Ne me quitte pas
não me deixes
On a vu souvent
tantas vezes vimos
Rejaillir le feu
renascer o fogo
De l`ancien volcan
do antigo vulcão
Qu`on croyait trop vieux
que acreditava-se velho demais
Il est, paraît`il
parece que tinha
Des terres brulées
terras queimadas
Donnant plus de blé
dando mais trigo
Qu`un meilleur avril
que a melhor colheita
Et comme bien des soirs
pois, em quantas tardes
Pour qu`un ciel flamboie
para que o céu fique flamejante
Le rouge et le noir
o vermelho e o negro
Ne s`épousent t`il pas ?
não se casam ?
Ne me quittes pas
não me deixes
Ne me quittes pas
não me deixes
Je ne veut plus pleurereu
não quero mais chorar
Je ne veut plus parler
não quero mais falar
Je me cacherai là
vou me esconder ali
À te regarder
só te olhando
Danser et sourire
dançar e sorrir
Et à te écoutere
te escutando
Chanter er puis
cantar, e depois rir
Laisse moi devenir
deixe que eu me transforme
L`ombre de ton ombre
na sombra da tua sombra
L`ombre de ta main
na sombra da tua mão
L`ombre de ton chein
ou na sombra do teu cão
Ne me quitte pas
mas não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
Ne me quitte pas
não me deixes
-------------------------------------------------------------------------------------------------
...
Deixe eu me transformar
na sombra da tua sombra
na sombra da tua mão
ou na sombra do teu cão
Que coisa linda, meu Deus!!!!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
As crianças são as flores da humanidade
Sou completamente maluca por crianças. Completamente enlouquecida por elas.
Mas não sou, necessariamente, aquele tipo de pessoa que não pode ver um bebê que já quer pegá-lo no colo, ou que se senta no chão para brincar com crianças pequenas.
O meu envolvimento com as crianças engloba esse tipo de ato também, mas isso não é o importante.
O meu envolvimento com crianças mostra-se no fato que simplesmente não suporto a idéia de que elas possam sofrer.
Sempre fui assim, mas após o nascimento dos meus meninos, esse sentimento tornou-se insuportável.
Não leio notícias ruins sobre crianças, mudo de canal quando a televisão mostra algo ruim que envolva crianças, não assisto a filmes que incluam crianças que sofrem...pelo simples fato que não suporto tal idéia.
Talvez soe demagogo de minha parte, mas gostaria de poder ajudar a todas as crianças que pedem esmola na rua, a todas as crianças que não estão agasalhadas em dias frios, a todas as crianças que tem fome, ou sede, ou medo, ou simplesmente sentem-se sozinhas.
Não me importo com os adultos, mas me importo, enormemente, com as crianças.
Gostaria de poder tratar de todas elas, dar amor, carinho, colo e atenção. Gostaria de poder proporcionar a elas uma escola e um uniforme cheiroso para elas vestirem em seus primeiros dias de aula, uma cama quente e macia para que elas pudessem exercitar o direito do descanso, brinquedos para que pudessem ser crianças de verdade, um colo para quando se machucassem, um sorriso para suas pequenas e grandes conquistas.
Gostaria de poder ser mãe de todas as crianças que não tem uma mãe de verdade. Gostaria sim de poder ser a mãe de todas elas, e dar a elas todo o amor que eu fosse capaz de dar.
Gostaria de viver rodeada por elas, para ao menos tentar tornar-me uma pessoa mais decente. Gostaria de poder compartilhar de toda a pureza que existe em seus olhos e, dessa forma, minimizar minhas próprias máculas.
Gostaria de tirá-las dos semáforos, das estradas, das calçadas. Gostaria de colocá-las no meu colo, juro que gostaria.
E a cada menino pedindo esmola que vejo, eu vejo nele os olhos dos meus filhos. E os meus filhos não são nem melhores nem piores do que ele, eles são idênticos a ele, porque todas as crianças são perfeitas.
E enquanto enchermos as nossas crianças de Ipods, celulares, roupas caras, tênis de marca e brinquedos supérfluos, estaremos negando a essas outras crianças, que são idênticas às nossas, que também são nossas, seus direitos legítimos à escola, saúde e amor.
Todas as crianças são iguais.
Infelizmente, dentro da minha vida, pouco posso fazer por elas, mas faço cem por cento do pouco que posso. E a cada dia, procuro fazer mais. E tenho certeza que um dia farei o suficiente para poder, ao menos, dormir em paz.
Porque hoje em dia, quando vejo uma criança que sofre, eu verdadeiramente não durmo em paz.
E agradeço por não ser capaz de dormir em paz, pois isso me mostra que ainda posso ter esperança em mim mesma.
Não se esqueçam, as crianças são as flores da humanidade. Todas elas, não só os meus, não só os seus, não só os nossos filhos.
Mas não sou, necessariamente, aquele tipo de pessoa que não pode ver um bebê que já quer pegá-lo no colo, ou que se senta no chão para brincar com crianças pequenas.
O meu envolvimento com as crianças engloba esse tipo de ato também, mas isso não é o importante.
O meu envolvimento com crianças mostra-se no fato que simplesmente não suporto a idéia de que elas possam sofrer.
Sempre fui assim, mas após o nascimento dos meus meninos, esse sentimento tornou-se insuportável.
Não leio notícias ruins sobre crianças, mudo de canal quando a televisão mostra algo ruim que envolva crianças, não assisto a filmes que incluam crianças que sofrem...pelo simples fato que não suporto tal idéia.
Talvez soe demagogo de minha parte, mas gostaria de poder ajudar a todas as crianças que pedem esmola na rua, a todas as crianças que não estão agasalhadas em dias frios, a todas as crianças que tem fome, ou sede, ou medo, ou simplesmente sentem-se sozinhas.
Não me importo com os adultos, mas me importo, enormemente, com as crianças.
Gostaria de poder tratar de todas elas, dar amor, carinho, colo e atenção. Gostaria de poder proporcionar a elas uma escola e um uniforme cheiroso para elas vestirem em seus primeiros dias de aula, uma cama quente e macia para que elas pudessem exercitar o direito do descanso, brinquedos para que pudessem ser crianças de verdade, um colo para quando se machucassem, um sorriso para suas pequenas e grandes conquistas.
Gostaria de poder ser mãe de todas as crianças que não tem uma mãe de verdade. Gostaria sim de poder ser a mãe de todas elas, e dar a elas todo o amor que eu fosse capaz de dar.
Gostaria de viver rodeada por elas, para ao menos tentar tornar-me uma pessoa mais decente. Gostaria de poder compartilhar de toda a pureza que existe em seus olhos e, dessa forma, minimizar minhas próprias máculas.
Gostaria de tirá-las dos semáforos, das estradas, das calçadas. Gostaria de colocá-las no meu colo, juro que gostaria.
E a cada menino pedindo esmola que vejo, eu vejo nele os olhos dos meus filhos. E os meus filhos não são nem melhores nem piores do que ele, eles são idênticos a ele, porque todas as crianças são perfeitas.
E enquanto enchermos as nossas crianças de Ipods, celulares, roupas caras, tênis de marca e brinquedos supérfluos, estaremos negando a essas outras crianças, que são idênticas às nossas, que também são nossas, seus direitos legítimos à escola, saúde e amor.
Todas as crianças são iguais.
Infelizmente, dentro da minha vida, pouco posso fazer por elas, mas faço cem por cento do pouco que posso. E a cada dia, procuro fazer mais. E tenho certeza que um dia farei o suficiente para poder, ao menos, dormir em paz.
Porque hoje em dia, quando vejo uma criança que sofre, eu verdadeiramente não durmo em paz.
E agradeço por não ser capaz de dormir em paz, pois isso me mostra que ainda posso ter esperança em mim mesma.
Não se esqueçam, as crianças são as flores da humanidade. Todas elas, não só os meus, não só os seus, não só os nossos filhos.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Pedaço de mim
Sou saudosista. E nostálgica.
É piegas ser assim. Mas é assim que eu sou.
Gosto de ver fotos antigas, gosto de falar sobre o passado, recontar ou ouvir novamente velhas histórias, falar sobre os antepassados, ou sobre a infância dos meus pais, ouvir músicas da minha própria infância...sempre fui assim, desses seres que tem um olho voltado para o futuro mas o outro, inevitavelmente, mira o passado.
E claro, tenho saudades. Provavelmente é um dos sentimentos mais fortes que me acompanham. Eu acordo com ele e durmo com ele, todos os dias.
Tenho saudade de coisas diversas.
Tenho saudade da minha avó Maria, da sopa do final da tarde na casa dela, de assistir novela com ela, do cinzeiro com enormes bitucas de Charm que ela deixava ao lado de sua cadeira. Tenho saudade dos vestidos dela.
Tenho saudade da Mina e da Dindinha, minhas duas outras velhinhas amadas que moravam com minha avó. Tenho saudade das bolachas guardadas no armário de roupas e mais ainda, tenho saudade das balas de mel, que nunca mais me foram oferecidas.
Tenho saudade de ouvir Cinema Transcendental do Caetano na sala de música da minha casa velha em Pirassununga, deitada no chão, com o fone de ouvido gigante me isolando de todo o mundo, enquanto o sol queimava o quintal lá fora. Tenho saudade dessa sala de música, com o piano, as caixas de som e a melhor coleção de vinis do mundo.
Tenho saudade dos velhos LPs de vinil, com o lado A e o lado B e as brutais diferenças entre os dois lados, histórias completamente diferentes a serem contadas por cada lado do LP.
Tenho saudade do meu irmão que pouco vejo.
Tenho saudade das bonequinhas de borracha e dos livros infantis que outro irmão me trazia, quando vinha nos visitar, na minha infância em Pirassununga. Ele vinha de longe, chegava de madrugada, mas antes de ir dormir, passava pelo meu quarto e deixava os pequenos presentes ao redor da minha cama, só para que eu soubesse, ao acordar, que ele estava lá.
Tenho saudade da alegria que eu sentia quando acordava e constatava que meu irmão estava lá.
Tenho saudade do dia do nascimento dos meus filhos. Tenho saudade da sensação de poder que me invadia a cada parto, da certeza que eu podia tudo, enquanto estivesse com meus filhos em meus braços. Até hoje, se eles estão comigo, ao alcance de minhas mãos, eu tudo posso.
Tenho especial saudade de amamentá-los, os meus olhos nos olhos deles, e o hálito doce dos meus bebês me embriagando.
Tenho saudade da Rua Joaquim Procópio, 1875, a casa velha, suas histórias, seu porão e a importância dessa casa para a minha mãe.
Tenho saudade dos finais de tarde, quando meu pai chegava da fazenda, a caminhonete cheia de galões de leite, sacos de laranja e outras coisas que ajudávamos a descarregar. Tenho saudade de meu pai com suas botas da fazenda e o cheiro que ele trazia de lá, enquanto sentava na cadeira da área de serviço para descalçá-las.
Tenho saudade do céu cor de rosa dos finais de tarde em Pirassununga. Procuro por ele a cada volta que faço à minha cidade.
Tenho saudade do mundo antes da invasão da escola em Beslan, na Ossétia do Norte, Rússia, em 2004. Tenho saudade de quando eu não sabia que centenas de crianças haviam sido mortas por causa de fanatismo, poder e preconceito. Não as conheci, mas tenho saudade dessas crianças, de cada uma delas.
Tenho saudade dos shows dos Ramones, saudade de cada show deles que eu assisti.
A expectativa, o aquecimento, a excitação de saber que o momento estava chegando, o camarote e o indefectível "One Two Three Four" que precedia cada música...
E tenho saudade da Marisa. Há mais de 20 anos eu tenho saudade da Marisa e então vou concluindo que a saudade não passa nem arrefece, apenas molda-se às nossas vidas, como uma sombra perene.
A saudade, às vezes, mata um pouco da gente.
É piegas ser assim. Mas é assim que eu sou.
Gosto de ver fotos antigas, gosto de falar sobre o passado, recontar ou ouvir novamente velhas histórias, falar sobre os antepassados, ou sobre a infância dos meus pais, ouvir músicas da minha própria infância...sempre fui assim, desses seres que tem um olho voltado para o futuro mas o outro, inevitavelmente, mira o passado.
E claro, tenho saudades. Provavelmente é um dos sentimentos mais fortes que me acompanham. Eu acordo com ele e durmo com ele, todos os dias.
Tenho saudade de coisas diversas.
Tenho saudade da minha avó Maria, da sopa do final da tarde na casa dela, de assistir novela com ela, do cinzeiro com enormes bitucas de Charm que ela deixava ao lado de sua cadeira. Tenho saudade dos vestidos dela.
Tenho saudade da Mina e da Dindinha, minhas duas outras velhinhas amadas que moravam com minha avó. Tenho saudade das bolachas guardadas no armário de roupas e mais ainda, tenho saudade das balas de mel, que nunca mais me foram oferecidas.
Tenho saudade de ouvir Cinema Transcendental do Caetano na sala de música da minha casa velha em Pirassununga, deitada no chão, com o fone de ouvido gigante me isolando de todo o mundo, enquanto o sol queimava o quintal lá fora. Tenho saudade dessa sala de música, com o piano, as caixas de som e a melhor coleção de vinis do mundo.
Tenho saudade dos velhos LPs de vinil, com o lado A e o lado B e as brutais diferenças entre os dois lados, histórias completamente diferentes a serem contadas por cada lado do LP.
Tenho saudade do meu irmão que pouco vejo.
Tenho saudade das bonequinhas de borracha e dos livros infantis que outro irmão me trazia, quando vinha nos visitar, na minha infância em Pirassununga. Ele vinha de longe, chegava de madrugada, mas antes de ir dormir, passava pelo meu quarto e deixava os pequenos presentes ao redor da minha cama, só para que eu soubesse, ao acordar, que ele estava lá.
Tenho saudade da alegria que eu sentia quando acordava e constatava que meu irmão estava lá.
Tenho saudade do dia do nascimento dos meus filhos. Tenho saudade da sensação de poder que me invadia a cada parto, da certeza que eu podia tudo, enquanto estivesse com meus filhos em meus braços. Até hoje, se eles estão comigo, ao alcance de minhas mãos, eu tudo posso.
Tenho especial saudade de amamentá-los, os meus olhos nos olhos deles, e o hálito doce dos meus bebês me embriagando.
Tenho saudade da Rua Joaquim Procópio, 1875, a casa velha, suas histórias, seu porão e a importância dessa casa para a minha mãe.
Tenho saudade dos finais de tarde, quando meu pai chegava da fazenda, a caminhonete cheia de galões de leite, sacos de laranja e outras coisas que ajudávamos a descarregar. Tenho saudade de meu pai com suas botas da fazenda e o cheiro que ele trazia de lá, enquanto sentava na cadeira da área de serviço para descalçá-las.
Tenho saudade do céu cor de rosa dos finais de tarde em Pirassununga. Procuro por ele a cada volta que faço à minha cidade.
Tenho saudade do mundo antes da invasão da escola em Beslan, na Ossétia do Norte, Rússia, em 2004. Tenho saudade de quando eu não sabia que centenas de crianças haviam sido mortas por causa de fanatismo, poder e preconceito. Não as conheci, mas tenho saudade dessas crianças, de cada uma delas.
Tenho saudade dos shows dos Ramones, saudade de cada show deles que eu assisti.
A expectativa, o aquecimento, a excitação de saber que o momento estava chegando, o camarote e o indefectível "One Two Three Four" que precedia cada música...
E tenho saudade da Marisa. Há mais de 20 anos eu tenho saudade da Marisa e então vou concluindo que a saudade não passa nem arrefece, apenas molda-se às nossas vidas, como uma sombra perene.
A saudade, às vezes, mata um pouco da gente.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Os olhos da Carolina
Há alguns anos atrás, minha mãe ficou doente.
Sua doença começou a se manifestar mais ou menos na mesma época em que eu engravidei do meu primeiro filho, o Luigi.
Sou a filha caçula de 9 irmãos e uma mulher depois de 4 homens seguidos. Sempre fui muito amada, paparicada e alisada pela minha mãe.
Quando meu filho nasceu, minha mãe não pode dar a ele o colo que eu sei que ela gostaria de ter dado, nem pode me ajudar tanto quanto ela gostaria de ter me ajudado.
Ela fez o que pode, e o que ela pode fazer era muito mais do que eu precisava.
Eu só precisava dela.
Após 2 anos, a doença da minha mãe, que nenhum médico descobria qual era, havia progredido e nesse momento eu engravidei pela segunda vez.
Ela veio ficar comigo, mas ela não estava bem. Culpo-me até hoje por ter permitido que ela viesse; eu deveria ter dito a ela que não precisava, que eu ficaria bem. Mas a verdade é que, no fundo, eu precisava dela perto de mim, mesmo ela não estando bem. Ela me deixa segura.
Da mesma forma que da primeira vez, minha mãe não pode dar ao meu segundo filho o colo que eu sei que ela gostaria de ter dado e nem pode me ajudar da forma como eu sei que ela gostaria de ter ajudado.
Sua doença não havia sido diagnosticada ainda e ela, gradativamente, piorava.
Minha mãe sempre foi para mim o ponto central de minha vida, sua voz sempre foi musical e doce, sua presença certeira e constante e seus olhos, vigilantes.
Eu tive na minha mãe todo o amor dessa vida. Ela cuidou de mim, me beijou, me cobriu, me ensinou e me amou mais do que qualquer outra pessoa jamais me amou.
Quando criança eu mal conseguia me afastar dela por algumas horas...eu tinha saudade dela, eu pedia por ela.
Depois de algum tempo, e após passar por vários médicos, minha mãe piorou muito, exatamente em um feriado em que estávamos, todos os irmãos, na casa dela e do meu pai, no interior. Decidimos, naquela hora, trazê-la para São Paulo e interná-la no Einstein, para um batelada de exames, na esperança que um grupo de médicos pudesse descobrir o que ela tinha.
Alguns irmãos vieram a São Paulo para organizar a internação e eu fiquei com ela em Pira, incumbida de arrumar a mala dela para a viagem.
Por quantos anos eu viver eu não serei capaz de esquecer do medo que me invadiu ao mexer em seu armário para separar suas roupas. A cada blusa, a cada camisola, a cada peça de roupa que eu tocava, eu me despedia, mesmo que sem querer, da minha mãe...e isso me amedrontava, isso me fazia chorar.
A mesma saudade que sentia quando criança me invadiu, porém tive medo de ser uma saudade que eu não pudesse mais matar.
Enquanto isso, ela, deitada na cama, me vigiava, com seus olhos...os olhos da Carolina. E com seus olhos ela sorria, um sorriso triste, sem medo de morrer, mas com receio de que eu sofresse, por me ver ainda tão imatura para enfrentar o mundo sem ela, para criar meus filhos sem ela.
Seus olhos sempre me acompanharam e não deixaram de fazê-lo nem nessa hora.
A doença da minha mãe foi diagnosticada, ela foi tratada e hoje está bem.
Eu ainda tenho muito medo de perdê-la, eu ainda não estou preparada. Não creio que estarei um dia.
Eu digo a ela que a amo, digo isso a toda hora.
Quero-a perto de mim sempre. Quero seus olhos me vigiando. Os olhos da Carolina. E eles são lindos!
Sua doença começou a se manifestar mais ou menos na mesma época em que eu engravidei do meu primeiro filho, o Luigi.
Sou a filha caçula de 9 irmãos e uma mulher depois de 4 homens seguidos. Sempre fui muito amada, paparicada e alisada pela minha mãe.
Quando meu filho nasceu, minha mãe não pode dar a ele o colo que eu sei que ela gostaria de ter dado, nem pode me ajudar tanto quanto ela gostaria de ter me ajudado.
Ela fez o que pode, e o que ela pode fazer era muito mais do que eu precisava.
Eu só precisava dela.
Após 2 anos, a doença da minha mãe, que nenhum médico descobria qual era, havia progredido e nesse momento eu engravidei pela segunda vez.
Ela veio ficar comigo, mas ela não estava bem. Culpo-me até hoje por ter permitido que ela viesse; eu deveria ter dito a ela que não precisava, que eu ficaria bem. Mas a verdade é que, no fundo, eu precisava dela perto de mim, mesmo ela não estando bem. Ela me deixa segura.
Da mesma forma que da primeira vez, minha mãe não pode dar ao meu segundo filho o colo que eu sei que ela gostaria de ter dado e nem pode me ajudar da forma como eu sei que ela gostaria de ter ajudado.
Sua doença não havia sido diagnosticada ainda e ela, gradativamente, piorava.
Minha mãe sempre foi para mim o ponto central de minha vida, sua voz sempre foi musical e doce, sua presença certeira e constante e seus olhos, vigilantes.
Eu tive na minha mãe todo o amor dessa vida. Ela cuidou de mim, me beijou, me cobriu, me ensinou e me amou mais do que qualquer outra pessoa jamais me amou.
Quando criança eu mal conseguia me afastar dela por algumas horas...eu tinha saudade dela, eu pedia por ela.
Depois de algum tempo, e após passar por vários médicos, minha mãe piorou muito, exatamente em um feriado em que estávamos, todos os irmãos, na casa dela e do meu pai, no interior. Decidimos, naquela hora, trazê-la para São Paulo e interná-la no Einstein, para um batelada de exames, na esperança que um grupo de médicos pudesse descobrir o que ela tinha.
Alguns irmãos vieram a São Paulo para organizar a internação e eu fiquei com ela em Pira, incumbida de arrumar a mala dela para a viagem.
Por quantos anos eu viver eu não serei capaz de esquecer do medo que me invadiu ao mexer em seu armário para separar suas roupas. A cada blusa, a cada camisola, a cada peça de roupa que eu tocava, eu me despedia, mesmo que sem querer, da minha mãe...e isso me amedrontava, isso me fazia chorar.
A mesma saudade que sentia quando criança me invadiu, porém tive medo de ser uma saudade que eu não pudesse mais matar.
Enquanto isso, ela, deitada na cama, me vigiava, com seus olhos...os olhos da Carolina. E com seus olhos ela sorria, um sorriso triste, sem medo de morrer, mas com receio de que eu sofresse, por me ver ainda tão imatura para enfrentar o mundo sem ela, para criar meus filhos sem ela.
Seus olhos sempre me acompanharam e não deixaram de fazê-lo nem nessa hora.
A doença da minha mãe foi diagnosticada, ela foi tratada e hoje está bem.
Eu ainda tenho muito medo de perdê-la, eu ainda não estou preparada. Não creio que estarei um dia.
Eu digo a ela que a amo, digo isso a toda hora.
Quero-a perto de mim sempre. Quero seus olhos me vigiando. Os olhos da Carolina. E eles são lindos!
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