"Comparada aos desertos circundantes, a terra de Canaã era uma terra de fartura, onde havia uvas e outras frutas, azeitonas e mel, daí ter sido vista por Abraão - originário da região do atual Iraque - como a "terra prometida", "onde corre leite e mel".
Eu gosto muito de praia e mar. Sempre gostei. Meu pai também.
Durante toda a minha infância e anteriormente, durante toda a infância dos meus irmãos, tivemos uma casa de praia, mais precisamente na Praia Grande e mais precisamente ainda, na Vila Caiçara.
Íamos sempre que podíamos, o carro lotado de bagagem e obviamente lotado de gente.
Levávamos comida, leite, travesseiros e eu, particularmente, levava a minha imensa vontade de mergulhar naquele marzão.
Naquela época, a Praia Grande não era, de forma alguma, o que é hoje. Poucas casas, ruas de areia e uma vastidão de área vazia, sem pessoas, de frente ao mar.
Naquela época, a viagem por si só era uma grande aventura. Para chegarmos à praia, tínhamos que entrar na cidade de São Paulo, à qual ninguém estava habituado. Meu pai mandava todo mundo calar a boca, desligar o rádio e ler as placas, para que não nos perdêssemos.
E nos perdíamos.
Descíamos a Serra do Mar e, lá pelas tantas meu pai, invariavelmente, dizia : "Ué, acho que os freios não estão funcionando".
Eu amava!
A Praia Grande era nosso destino certo, no verão e no inverno também.
Talvez por isso eu goste tanto de praia, faça calor ou frio. Gosto da umidade grudando na pele, do cheiro da maresia, de pisar na areia e sentir as ondas batendo nas costas.
A Praia Grande era nossa, só nossa.
Nossa e da nossa barraca listrada de vermelho e branco.
Ontem, eu, o Klau e os meninos resolvemos ir para Santos, visitar o Aquário. Descemos pela Anchieta, ao invés de descermos pela Imigrantes.
A pista mais estreita, a proximidade da encosta, me lembrou de alguma forma, das minhas idas à Praia Grande, em minha infância.
Lendo as placas que se sucediam na estrada, perguntei ao Klau se poderíamos passar na Praia Grande para que eu visse, mais uma vez e depois de mais de 15 anos, a nossa antiga casa da praia, que há muito meu pai havia vendido.
Custamos muito a achar a rua, porque eu já não me lembrava ao certo da entrada correta, e estava procurando no lugar errado. Mas perguntando para as pessoas na rua, felizmente citei o nome Vila Caiçara e me informaram que eu deveria seguir adiante, beirando o mar, que chegaria no lugar.
Assim fizemos e após uns 5 quilômetros, avistei a Avenida Maringá, que de avenida não tem nada, sendo uma rua simples.
A rua está agora asfaltada.
O terreno baldio que existia na esquina da minha casa agora abriga uma construção que, ironicamente, já está velha.
Mas a nossa casa está la. Avenida Maringá, 450.
Ela foi reformada pelo meu pai alguns anos antes de ser vendida e está em bom estado de conservação.
E está à venda!
Meus filhos no carro não entendiam porque havíamos desviado de nosso caminho original só para ver a fachada de uma casa.
Acho que tampouco meu marido entendeu. Somos tão diferentes nesse aspecto.
Mas apesar dele não entender, ele sabe dessas minhas necessidades e, mesmo nos perdendo, e tendo que pedir informações na rua, e eu tendo que ligar para meus pais e para minha tia para confirmar o endereço...ele me levou lá.
Enfim, a casa...a casinha da praia.
Desci do carro, tirei fotos, e a umidade grudou novamente na minha pele, e o cheiro da maresia invadiu minhas narinas.
E lembrei-me dos nossos almoços fartos, feitos com a linguiça do sítio, arroz e salada de tomate. Chegávamos da praia esfomeados e nos fartávamos com isso.
Lembrei dos litros e litros de água do mar que engoli, enquanto conversava com quem quer que estivesse ao meu lado, enfrentando as ondas da Praia Grande.
Cheguei a ir para o Hospital, de tanta água do mar que engoli.
E cantei de novo no chuveirinho externo, com porta de madeira pequena.
E comi churros no Centrinho com a Marisa.
E cochilei no sofá de plástico da sala.
E sujei o pé de pixe na areia da praia.
E dormi em beliche.
Na parte superior da fachada da nossa casinha de praia havia uma placa, onde se lia "Canaã".
Pensando hoje, percebo a perfeição desse nome.
Nossa casinha na praia não era grande, ao contrário. Era uma casinha simples, pequena, geminada, onde cabia uma família grande, cheia de crianças.
Nossa casinha na praia não era localizada em praia chique, mas a imensidão de areia que lá existia para corrermos não se encontra em outro lugar.
Canaã quer dizer terra de fartura.
E era isso que tínhamos lá.
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Que pena...
Quando muito já foi dito, muito já escrito...fico triste.
Falo para o meu filho que não importa o quanto maluco ele era, não mais.
O quanto não se aceitou, ou o quanto se desbotou...não importa!
Quero dizer para o meu filho que o importante era a música, a voz e a dança...acho que principalmente a dança.
Esqueço de toda a bizarrice...meu filho é pequeno e não quero que se atenha ao superficial, mas sim à dança, à dança dele.
Quero que saiba que aos meus 14 anos, eu gastei todas as minhas meias fazendo moonwalk em todos os lugares... corredores da escola, quintal da minha casa...moonwalk baby!
Quero que saiba que ninguém da minha idade, ninguém no mundo todo, foi indiferente a ele.
Quero evitar que meu filho atenha-se à bizarrice.
Esqueçam o superficial, vamos focar na falta que ele vai fazer.
Eu queria dançar como ele. Aos 14 anos, eu só queria dançar como ele.
Atenção para a arte, ele era um artista, um bailarino. Perfeito.
Respeitem seu talento!
E falam de como estava, de quanto pesava, de seu cabelo, da sua pele, de sua herança, de sua dívida, de seus filhos...
Eu só me interesso por sua dança.
Moonwalk baby!
Quando teremos outro cara como ele? Quantos séculos serão necessários?
O mundo sem ele está estático. O mundo, sem sua dança, está triste.
Keep moonwalking baby.
Moonwalk Michael!
Falo para o meu filho que não importa o quanto maluco ele era, não mais.
O quanto não se aceitou, ou o quanto se desbotou...não importa!
Quero dizer para o meu filho que o importante era a música, a voz e a dança...acho que principalmente a dança.
Esqueço de toda a bizarrice...meu filho é pequeno e não quero que se atenha ao superficial, mas sim à dança, à dança dele.
Quero que saiba que aos meus 14 anos, eu gastei todas as minhas meias fazendo moonwalk em todos os lugares... corredores da escola, quintal da minha casa...moonwalk baby!
Quero que saiba que ninguém da minha idade, ninguém no mundo todo, foi indiferente a ele.
Quero evitar que meu filho atenha-se à bizarrice.
Esqueçam o superficial, vamos focar na falta que ele vai fazer.
Eu queria dançar como ele. Aos 14 anos, eu só queria dançar como ele.
Atenção para a arte, ele era um artista, um bailarino. Perfeito.
Respeitem seu talento!
E falam de como estava, de quanto pesava, de seu cabelo, da sua pele, de sua herança, de sua dívida, de seus filhos...
Eu só me interesso por sua dança.
Moonwalk baby!
Quando teremos outro cara como ele? Quantos séculos serão necessários?
O mundo sem ele está estático. O mundo, sem sua dança, está triste.
Keep moonwalking baby.
Moonwalk Michael!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Ashes to ashes
Nasci e cresci em uma única casa.
Para quem é canceriano, como eu, isso tem um peso enorme.
A criação de raízes é fator determinante na felicidade e tranquilidade de um canceriano.
Sou nascida em 26 de Junho, o que faz de mim uma canceriana, com toda a necessidade de raízes típica dos meus similares.
Não é fácil nem leve ser assim, mas essa sou eu.
Minha mãe nasceu e cresceu nessa mesma casa.
Nasci e cresci na Rua Joaquim Procópio de Araújo, 1875, em Pirassununga. Essa casa já teve outros números, quando de mudanças de numeração da rua (já foi número 85, presumo, e já foi número 1661, tenho certeza). Mas o número 1875 acompanhou-me por grande parte dos anos da minha vida.
Minha casa era uma construção grande, espaçosa, com inúmeros quartos ( o que sempre foi motivo de piada entre meus amigos, afinal, como abrigar tantos irmãos sem ter inúmeros quartos?), confortável e acolhedora.
Havia um campo de futebol no fundo da casa que, quando eu tinha mais ou menos 9 anos, foi transformado na mais deliciosa piscina, onde pude desenvolver meus laços aquáticos com meu pai nadador.
Havia uma mangueira no centro do quintal, e quando a árvore dava flores, o quintal ficava repleto com a florada dela.
Minhas cachorrinhas eram comedoras de manga, e cada fruta que caía do pé era prontamente devorada por elas, e depois só encontrávamos o caroço.
Minha casa tinha passagens em cantos diferentes, uma para a casa da minha vó e outra para a horta da Mina, que também nos levava à casa de minha tia. Portanto, minha casa tinha passagens para lugares de prazer imenso. Minha casa era um lugar de prazer imenso.
Meu quarto era repleto de fotos de cantores de rock e mesmo depois de adulta, as marcas da fita durex que eu usava para pregar os recortes fixaram-se de tal forma à parede que a lembrança das fotos tornou-as eternas.
Minha casa tinha o quartinho de música, com o piano, o violão, a vitrola (e depois o aparelho de som), a melhor coleção de LPs que já conheci, a máquina de costura de minha mãe e as diversas partituras de clássicos.
Minha casa tinha a figura de todos nós, os filhos, nos exercitando ao piano.
Mais que tudo, minha casa tinha a figura de minha mãe, ao piano, mostrando a todos nós como é que realmente se tocava o instrumento.
Minha casa tinha canteiros maravilhosos, cuidados pela minha mãe, cheios de antúrios e outras flores. Lembro do cheiro da água batendo no calçamento do quintal, quando minha mãe regava as plantas. Lembro do cheiro da água evaporando-se.
Lembro do som do chão pisado, graças ao porão que lá existia. Lembro do telhado, das calhas.
Lembro de tudo.
O quintal me serviu para muitas coisas. Lá joguei vôlei com as minhas amigas, lá joguei futebol com meu irmão, lá vi meus filhos armarem arapucas de papelão para pegar passarinhos...mais recentemente, lá dancei todas as minhas coreografias de ballet.
Lá agradeci, rosto voltado ao sol, as minhas possibilidades.
Eu lembro de tudo.
Nada conseguimos fazer para evitar a construção de dois prédios, um de cada lado de minha casa.
A casa tornou-se gelada, sem o sol entrando nela, e meus pais, mesmo sem querer, se mudaram.
A casa onde meus pais moram hoje fica na mesma rua, e é maravilhosa. Racionalmente é ainda melhor que a "casa velha", porque é mais bem planejada, é mais moderna e é realmente linda.
Estou muito feliz que meus pais estejam lá.
A casa nova também tem uma piscina linda, um jardim florido e um parquinho onde meus filhos se acabam.
Para uma canceriana, lidei muito bem com a mudança. Estava até orgulhosa de mim mesma quanto à isso.
Porém, há algum tempo atrás, cobriram a minha casa velha com tapumes. Mal dava para vê-la por entre eles.
E agora, recentemente, começaram a demolí-la.
Passei muito mal. Assumo, foi uma merda!
Escalei os tapumes e pude ver, através das paredes quebradas, a parede da sala, os corredores laterais, o jardim da piscina...e eu pude ver a parede do meu quarto. E por um instante, achei que tivesse visto as marcas das fitas durex que pregaram, por tantos anos, meus recortes dos cantores de rock and roll na parede.
Chorei, sofri e me senti uma boba.
Porque o que fica são as lembranças.
Meus pais estão vivos e bem, meus irmãos estão vivos e bem.
Mas que saudade da minha casa!
Quando eu morrer, se possível for, quero que alguém cuide para que minhas cinzas ou algo de mim seja depositado na Rua Joaquim Procópio de Araújo, 1875. Não me importa o que lá funcione e nem qual a construção que lá exista na época.
Só peço que alguém faça isso por mim, que deposite algo de mim em frente à minha casa velha.
O vento vai se encarregar de me fazer entrar...
Para quem é canceriano, como eu, isso tem um peso enorme.
A criação de raízes é fator determinante na felicidade e tranquilidade de um canceriano.
Sou nascida em 26 de Junho, o que faz de mim uma canceriana, com toda a necessidade de raízes típica dos meus similares.
Não é fácil nem leve ser assim, mas essa sou eu.
Minha mãe nasceu e cresceu nessa mesma casa.
Nasci e cresci na Rua Joaquim Procópio de Araújo, 1875, em Pirassununga. Essa casa já teve outros números, quando de mudanças de numeração da rua (já foi número 85, presumo, e já foi número 1661, tenho certeza). Mas o número 1875 acompanhou-me por grande parte dos anos da minha vida.
Minha casa era uma construção grande, espaçosa, com inúmeros quartos ( o que sempre foi motivo de piada entre meus amigos, afinal, como abrigar tantos irmãos sem ter inúmeros quartos?), confortável e acolhedora.
Havia um campo de futebol no fundo da casa que, quando eu tinha mais ou menos 9 anos, foi transformado na mais deliciosa piscina, onde pude desenvolver meus laços aquáticos com meu pai nadador.
Havia uma mangueira no centro do quintal, e quando a árvore dava flores, o quintal ficava repleto com a florada dela.
Minhas cachorrinhas eram comedoras de manga, e cada fruta que caía do pé era prontamente devorada por elas, e depois só encontrávamos o caroço.
Minha casa tinha passagens em cantos diferentes, uma para a casa da minha vó e outra para a horta da Mina, que também nos levava à casa de minha tia. Portanto, minha casa tinha passagens para lugares de prazer imenso. Minha casa era um lugar de prazer imenso.
Meu quarto era repleto de fotos de cantores de rock e mesmo depois de adulta, as marcas da fita durex que eu usava para pregar os recortes fixaram-se de tal forma à parede que a lembrança das fotos tornou-as eternas.
Minha casa tinha o quartinho de música, com o piano, o violão, a vitrola (e depois o aparelho de som), a melhor coleção de LPs que já conheci, a máquina de costura de minha mãe e as diversas partituras de clássicos.
Minha casa tinha a figura de todos nós, os filhos, nos exercitando ao piano.
Mais que tudo, minha casa tinha a figura de minha mãe, ao piano, mostrando a todos nós como é que realmente se tocava o instrumento.
Minha casa tinha canteiros maravilhosos, cuidados pela minha mãe, cheios de antúrios e outras flores. Lembro do cheiro da água batendo no calçamento do quintal, quando minha mãe regava as plantas. Lembro do cheiro da água evaporando-se.
Lembro do som do chão pisado, graças ao porão que lá existia. Lembro do telhado, das calhas.
Lembro de tudo.
O quintal me serviu para muitas coisas. Lá joguei vôlei com as minhas amigas, lá joguei futebol com meu irmão, lá vi meus filhos armarem arapucas de papelão para pegar passarinhos...mais recentemente, lá dancei todas as minhas coreografias de ballet.
Lá agradeci, rosto voltado ao sol, as minhas possibilidades.
Eu lembro de tudo.
Nada conseguimos fazer para evitar a construção de dois prédios, um de cada lado de minha casa.
A casa tornou-se gelada, sem o sol entrando nela, e meus pais, mesmo sem querer, se mudaram.
A casa onde meus pais moram hoje fica na mesma rua, e é maravilhosa. Racionalmente é ainda melhor que a "casa velha", porque é mais bem planejada, é mais moderna e é realmente linda.
Estou muito feliz que meus pais estejam lá.
A casa nova também tem uma piscina linda, um jardim florido e um parquinho onde meus filhos se acabam.
Para uma canceriana, lidei muito bem com a mudança. Estava até orgulhosa de mim mesma quanto à isso.
Porém, há algum tempo atrás, cobriram a minha casa velha com tapumes. Mal dava para vê-la por entre eles.
E agora, recentemente, começaram a demolí-la.
Passei muito mal. Assumo, foi uma merda!
Escalei os tapumes e pude ver, através das paredes quebradas, a parede da sala, os corredores laterais, o jardim da piscina...e eu pude ver a parede do meu quarto. E por um instante, achei que tivesse visto as marcas das fitas durex que pregaram, por tantos anos, meus recortes dos cantores de rock and roll na parede.
Chorei, sofri e me senti uma boba.
Porque o que fica são as lembranças.
Meus pais estão vivos e bem, meus irmãos estão vivos e bem.
Mas que saudade da minha casa!
Quando eu morrer, se possível for, quero que alguém cuide para que minhas cinzas ou algo de mim seja depositado na Rua Joaquim Procópio de Araújo, 1875. Não me importa o que lá funcione e nem qual a construção que lá exista na época.
Só peço que alguém faça isso por mim, que deposite algo de mim em frente à minha casa velha.
O vento vai se encarregar de me fazer entrar...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Esse ano vai ser nosso!
1986...
O ano de 1986 foi extremamente marcante em minha vida.
Eu fiz 16 anos em 1986.
Em 1986 eu iniciei o 1º Colegial, eu conheci amigos que se tornariam parte integrante de minha vida até hoje, eu experimentei sensações e porque não, atrações à parte.
Em 1986 eu ganhei o mundo.
Em 1986 eu comecei a gravar meu programa na rádio de Pirassununga (..."this is Rock and Roll Radio, stay tuned for more rock and roll!"), tendo como parceira uma irmã de uma vida. E eram LPs, e fitas K7, e manhãs de sábado dedicadas à gravação do programa.
A cada sábado, às 7 da noite, meu programa ia ao ar. Era a hora que nos arrumávamos para sair.
Meus amigos se arrumavam ouvindo o nosso programa. Era interior, era 1986, 8 horas da noite estávamos na rua. Saíamos cedo e voltávamos tarde.
Era bom demais.
1986 foi o ano que tornei-me mulher, quando descobri meus poderes e o peso deles.
1986 foi o ano que perdi minha vó Maria.
Minhas mais doces lembranças...só mais um prato de sopa com ela, é tudo o que eu pediria.
1986 foi o ano que antecedeu a partida da Marisa. Portanto, 1986 foi meu último ano com a Marisa, o que, por si só, torna 1986 um ano incrivelmente maravilhoso.
Se, por um acaso, eu tivesse tido a possibilidade de saber, eu teria a abraçado mais, telefonado mais, amado mais...isso com certeza teria me matado, mas eu a teria tido mais perto de mim.
O que me consola é que tenho certeza que ela sabe. Minha doce Marisa sabe, e sempre soube.
As duas, minha vó Maria e minha doce Marisa, guardam meu lugar perto delas, disso estou certa. E guardam também o lugar de todos a quem eu amo.
1986 foi o ano da turma "da pesada", uma gang de amigos de fazer tremer a cidade (ao menos eu assim imaginava). Grandes figuras, grandes amigos, grandes aventuras, grandes contravenções...de verdade, éramos "foras da lei".
1986 foi o ano que pixei o muro da minha escola. Apagaram no dia seguinte, mas a mancha ficou lá, ao fundo, por muitos anos.
1986 foi o ano que descobri, de verdade, o prazer em escrever.
1986 foi o ano do Postinho. Para quem lá esteve, a importância disso é gritante.
1986 foi o ano das Brincadeiras do Clube. Dançar em um sábado à noite ao som de Bowie, Cure, Ramones, The the, Siouxsie...realmente!
1986 foi o ano das festas da casa da Fer. As melhores festas da minha vida, rock and roll na veia, puro e simples, grosso e cru.
1986 foi o ano da Aeróbica do Daniel. Malhação pesada, semente plantada, inesquecível. O que sou hoje, no que diz respeito a esportes e à malhação, devo muito a ele.
1986 foi o ano que comecei a namorar o Klau.
Tudo truncado, tudo proibido, mas a gente insistiu.
Ninguém acreditava de verdade, acho que nem mesmo a gente, mas aos 16 anos eu comecei a namorar (escondido!) aquele que viria ser o pai dos meus filhos, o meu melhor amigo (ainda que nossas diferenças sejam imensas, e talvez graças à elas sejamos tão unidos), o amor de toda uma vida.
1986 foi o ano que, mesmo sem perceber, brigamos para ficar juntos, com nossas jaquetas de couro e nossos discos dos Ramones.
Foi o ano que começamos a correr juntos, com a Klein nos acompanhando, e que nossos laços passaram a ser feitos de aço.
10 anos depois nos casamos.
14 anos depois tivemos o Luigi.
16 anos depois tivemos o Joey.
E há exatos 23 anos vamos nos moldando, nos fundindo e nos tornando um só, um só formado por dois seres tão diversos mas tão similares também.
Mas nunca nos esquecemos de quem somos, e de que somos únicos e somos seres com necessidades distintas.
Foi essa percepção que nos uniu.
E vamos assim, fazendo nossos planos e aos poucos, conseguindo tudo o que queremos. Porque o que queremos não é tão complexo.
Nós só queremos saúde para nossos filhos e que eles sejam pessoas do bem.
Nós só queremos ter a oportunidade de ajudar quem está próximo a nós.
Nós só queremos que nossos pais estejam bem e sabemos que quando eles não estiverem bem, é nosso dever e nosso privilégio ajudá-los.
1986 foi o ano que me proporcionou viver, nos tempos modernos, uma verdadeira História de Amor.
O ano de 1986 foi extremamente marcante em minha vida.
Eu fiz 16 anos em 1986.
Em 1986 eu iniciei o 1º Colegial, eu conheci amigos que se tornariam parte integrante de minha vida até hoje, eu experimentei sensações e porque não, atrações à parte.
Em 1986 eu ganhei o mundo.
Em 1986 eu comecei a gravar meu programa na rádio de Pirassununga (..."this is Rock and Roll Radio, stay tuned for more rock and roll!"), tendo como parceira uma irmã de uma vida. E eram LPs, e fitas K7, e manhãs de sábado dedicadas à gravação do programa.
A cada sábado, às 7 da noite, meu programa ia ao ar. Era a hora que nos arrumávamos para sair.
Meus amigos se arrumavam ouvindo o nosso programa. Era interior, era 1986, 8 horas da noite estávamos na rua. Saíamos cedo e voltávamos tarde.
Era bom demais.
1986 foi o ano que tornei-me mulher, quando descobri meus poderes e o peso deles.
1986 foi o ano que perdi minha vó Maria.
Minhas mais doces lembranças...só mais um prato de sopa com ela, é tudo o que eu pediria.
1986 foi o ano que antecedeu a partida da Marisa. Portanto, 1986 foi meu último ano com a Marisa, o que, por si só, torna 1986 um ano incrivelmente maravilhoso.
Se, por um acaso, eu tivesse tido a possibilidade de saber, eu teria a abraçado mais, telefonado mais, amado mais...isso com certeza teria me matado, mas eu a teria tido mais perto de mim.
O que me consola é que tenho certeza que ela sabe. Minha doce Marisa sabe, e sempre soube.
As duas, minha vó Maria e minha doce Marisa, guardam meu lugar perto delas, disso estou certa. E guardam também o lugar de todos a quem eu amo.
1986 foi o ano da turma "da pesada", uma gang de amigos de fazer tremer a cidade (ao menos eu assim imaginava). Grandes figuras, grandes amigos, grandes aventuras, grandes contravenções...de verdade, éramos "foras da lei".
1986 foi o ano que pixei o muro da minha escola. Apagaram no dia seguinte, mas a mancha ficou lá, ao fundo, por muitos anos.
1986 foi o ano que descobri, de verdade, o prazer em escrever.
1986 foi o ano do Postinho. Para quem lá esteve, a importância disso é gritante.
1986 foi o ano das Brincadeiras do Clube. Dançar em um sábado à noite ao som de Bowie, Cure, Ramones, The the, Siouxsie...realmente!
1986 foi o ano das festas da casa da Fer. As melhores festas da minha vida, rock and roll na veia, puro e simples, grosso e cru.
1986 foi o ano da Aeróbica do Daniel. Malhação pesada, semente plantada, inesquecível. O que sou hoje, no que diz respeito a esportes e à malhação, devo muito a ele.
1986 foi o ano que comecei a namorar o Klau.
Tudo truncado, tudo proibido, mas a gente insistiu.
Ninguém acreditava de verdade, acho que nem mesmo a gente, mas aos 16 anos eu comecei a namorar (escondido!) aquele que viria ser o pai dos meus filhos, o meu melhor amigo (ainda que nossas diferenças sejam imensas, e talvez graças à elas sejamos tão unidos), o amor de toda uma vida.
1986 foi o ano que, mesmo sem perceber, brigamos para ficar juntos, com nossas jaquetas de couro e nossos discos dos Ramones.
Foi o ano que começamos a correr juntos, com a Klein nos acompanhando, e que nossos laços passaram a ser feitos de aço.
10 anos depois nos casamos.
14 anos depois tivemos o Luigi.
16 anos depois tivemos o Joey.
E há exatos 23 anos vamos nos moldando, nos fundindo e nos tornando um só, um só formado por dois seres tão diversos mas tão similares também.
Mas nunca nos esquecemos de quem somos, e de que somos únicos e somos seres com necessidades distintas.
Foi essa percepção que nos uniu.
E vamos assim, fazendo nossos planos e aos poucos, conseguindo tudo o que queremos. Porque o que queremos não é tão complexo.
Nós só queremos saúde para nossos filhos e que eles sejam pessoas do bem.
Nós só queremos ter a oportunidade de ajudar quem está próximo a nós.
Nós só queremos que nossos pais estejam bem e sabemos que quando eles não estiverem bem, é nosso dever e nosso privilégio ajudá-los.
1986 foi o ano que me proporcionou viver, nos tempos modernos, uma verdadeira História de Amor.
domingo, 31 de maio de 2009
O canto alegre de quem espera um novo dia...
Eu gosto muito de ir para Pirassununga. Por inúmeros motivos, eu realmente adoro ir para Pirassununga.
Lá meus filhos se sujam de terra e se acabam na piscina. Lá eu adoro correr na rua, logo cedo; nas ruas tão conhecidas de Pirassununga.
Lá vejo amigos, ouço os CDs da minha mãe, visito a Lelê.
Mas o principal motivo de gostar de ir para Pirassunuga é que lá moram os meus pais e todas as vezes que eu vou para lá, eu aproveito para matar a imensa saudade que sinto deles.
Almoço com eles, converso com eles, assisto TV com eles, leio o jornal com eles.
O que eu mais gosto de fazer em Pirassununga é estar perto dos meus pais.
Tenho achado meu pai triste.
Não sei bem como descrever o que vejo ou o que sinto, mas a verdade é que tenho achado o meu pai triste. Ele anda meio calado demais, cabisbaixo demais, quieto demais. E o meu pai é o inverso de tudo isso.
Meu pai sempre foi um cara muito vigoroso, antenadíssimo a tudo o que ocorria ao redor dele. Sempre foi praticamente impossível enganá-lo e caso eu conseguisse, o risco dele descobrir era imenso e, caso ele viesse a descobrir, o risco que eu corria era maior ainda.
Meu pai sempre foi o chefe da casa.
Mas de uns tempos para cá, tenho achado meu pai triste.
Acho que sei porque, e não acho que seja por um motivo específico, mas uma série de motivos que o tem deixado triste.
Eu adoro o meu pai. De verdade mesmo, eu o adoro, intensamente.
Não estou acostumada a vê-lo triste. Já o vi bravo diversas vezes (e foram, todas elas, inesquecíveis, pela intensidade da coisa em si), já o vi cansado outras tantas, mas não triste.
Essa tristeza vem rasgando o meu coração. Não sei bem o que fazer para ajudá-lo, mas faria, de bom grado, qualquer coisa para ver meu pai feliz de novo.
Fui uma adolescente bem chata e voluntariosa. Dei bastante trabalho para o meu pai. Fui uma típica adolescente, cheia de idéias bobas e achando-me sabedora de tudo.
Meu pai teve muitas razões para se preocupar comigo, pelas madrugadas na rua, pelo namoro precoce, pelas roupas pretas, pela postura arrogante.
Ele ficava muito bravo e eu, apesar da minha postura arrogante, morria de medo.
Nunca vou me esquecer das broncas que tomei. Vi-o bravo várias vezes.
Porém nunca o vi triste.
Mas depois das incríveis broncas, quando o sol nascia de novo, lá estava ele, assobiando, cantarolando, como quem espera um novo dia, um bom novo dia.
Não tenho visto meu pai cantarolar e nem assobiar como ele sempre fez. E eu preciso disso de novo.
Eu não sei viver sem isso.
Faço qualquer coisa para ver meu pai cantarolar de novo, aquele seu canto alegre de quem espera um novo dia.
Lá meus filhos se sujam de terra e se acabam na piscina. Lá eu adoro correr na rua, logo cedo; nas ruas tão conhecidas de Pirassununga.
Lá vejo amigos, ouço os CDs da minha mãe, visito a Lelê.
Mas o principal motivo de gostar de ir para Pirassunuga é que lá moram os meus pais e todas as vezes que eu vou para lá, eu aproveito para matar a imensa saudade que sinto deles.
Almoço com eles, converso com eles, assisto TV com eles, leio o jornal com eles.
O que eu mais gosto de fazer em Pirassununga é estar perto dos meus pais.
Tenho achado meu pai triste.
Não sei bem como descrever o que vejo ou o que sinto, mas a verdade é que tenho achado o meu pai triste. Ele anda meio calado demais, cabisbaixo demais, quieto demais. E o meu pai é o inverso de tudo isso.
Meu pai sempre foi um cara muito vigoroso, antenadíssimo a tudo o que ocorria ao redor dele. Sempre foi praticamente impossível enganá-lo e caso eu conseguisse, o risco dele descobrir era imenso e, caso ele viesse a descobrir, o risco que eu corria era maior ainda.
Meu pai sempre foi o chefe da casa.
Mas de uns tempos para cá, tenho achado meu pai triste.
Acho que sei porque, e não acho que seja por um motivo específico, mas uma série de motivos que o tem deixado triste.
Eu adoro o meu pai. De verdade mesmo, eu o adoro, intensamente.
Não estou acostumada a vê-lo triste. Já o vi bravo diversas vezes (e foram, todas elas, inesquecíveis, pela intensidade da coisa em si), já o vi cansado outras tantas, mas não triste.
Essa tristeza vem rasgando o meu coração. Não sei bem o que fazer para ajudá-lo, mas faria, de bom grado, qualquer coisa para ver meu pai feliz de novo.
Fui uma adolescente bem chata e voluntariosa. Dei bastante trabalho para o meu pai. Fui uma típica adolescente, cheia de idéias bobas e achando-me sabedora de tudo.
Meu pai teve muitas razões para se preocupar comigo, pelas madrugadas na rua, pelo namoro precoce, pelas roupas pretas, pela postura arrogante.
Ele ficava muito bravo e eu, apesar da minha postura arrogante, morria de medo.
Nunca vou me esquecer das broncas que tomei. Vi-o bravo várias vezes.
Porém nunca o vi triste.
Mas depois das incríveis broncas, quando o sol nascia de novo, lá estava ele, assobiando, cantarolando, como quem espera um novo dia, um bom novo dia.
Não tenho visto meu pai cantarolar e nem assobiar como ele sempre fez. E eu preciso disso de novo.
Eu não sei viver sem isso.
Faço qualquer coisa para ver meu pai cantarolar de novo, aquele seu canto alegre de quem espera um novo dia.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
I´m just a rock and roll heart!
I don’t like opera and I don’t like ballet
And new wave french movies, they just drive me away
I guess I’m just dumb, ’cause I know that I ain’t smart
But deep down inside, I got a rock ’n’ roll heart
Yeah-yeah-yeah, deep down inside I got a rock ’n’ roll heart
Oh, rock ’n’ roll heart
Lookin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, roll heart
Lookin’ for a good time
I don’t like massages or something meant to say
And I wish people like that would just go away
I guess I’m just dumb, ’cause I know I’m not smart
But deep down inside, I got a rock ’n’ roll heart
Yeah-yeah-yeah, deep down inside
I got a rock ’n’ roll heart
Yeah, rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, roll heart
Lookin’ for a good time
Yeah, just a rock ’n’ roll heart
Lookin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, yeah, roll heart
Lookin’ for a good time, yeah, now
Yeah, got a rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time
Got a rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time"
Lou Reed - Rock and roll heart
Putz, como eu queria ter escrito essa música!!!!!! Anyway, thanks Lou!
And new wave french movies, they just drive me away
I guess I’m just dumb, ’cause I know that I ain’t smart
But deep down inside, I got a rock ’n’ roll heart
Yeah-yeah-yeah, deep down inside I got a rock ’n’ roll heart
Oh, rock ’n’ roll heart
Lookin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, roll heart
Lookin’ for a good time
I don’t like massages or something meant to say
And I wish people like that would just go away
I guess I’m just dumb, ’cause I know I’m not smart
But deep down inside, I got a rock ’n’ roll heart
Yeah-yeah-yeah, deep down inside
I got a rock ’n’ roll heart
Yeah, rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, roll heart
Lookin’ for a good time
Yeah, just a rock ’n’ roll heart
Lookin’ for a good time
Just a rock ’n’ roll heart, roll heart, yeah, roll heart
Lookin’ for a good time, yeah, now
Yeah, got a rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time
Got a rock ’n’ roll heart
Searchin’ for a good time"
Lou Reed - Rock and roll heart
Putz, como eu queria ter escrito essa música!!!!!! Anyway, thanks Lou!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
The guardians...
Além de 2 irmãs, como já mencionei, eu tenho 6 irmãos.
É isso aí, eu tenho 6 irmãos.
É incrível que seja assim, não conheço outra mulher que tenha tantos irmãos (homens) assim.
Pois eu os tenho...graças a Deus!
Cada irmão meu representa algo de diferente em minha vida.
Cada um deles conta uma história única em minha existência, em tempos diferentes, com gostos e cores diferentes.
Meu irmão mais velho, o Dacinho, é meu segundo pai.
Ele tem cheiro de chocolate e de novidade.
Ele me batizou...ele me mimou imensamente na minha infância.
Ele me trazia presentes (ele os traz até hoje). Ele me enchia de atenção, e de histórias incríveis. Ele me levava ao Playcenter e me dava os discos da Rita Lee.
Ele criava personagens assustadores dos quais ele mesmo ria.
Ele é ponta firme e sei que ele me ama.
E, incrivelmente, hoje, ele faz aos meus filhos tudo o que fazia comigo. Ele sabe que, assim, continua me mimando.
Meu irmão Celso foi um enigma na minha vida por muito tempo. Ele era inteligente demais...
Eu o achava tão lindo quando eu era criança, que chegava a temê-lo.
Ele casou cedo e foi embora, viver a vida dele, mas voltava sempre...mas eu sempre o achei indecifrável.
Já há muitos anos meu irmão Celso voltou a habitar fortemente a minha vida. Sua presença constante foi um dos maiores presente que recebi.
Meu irmão Celso é doce, é sincero e sua presença é constante.
Ele é só carinho. Ele é só ternura. Nossos jantares são tudo de bom, nossos jantares são só risos e amor.
Meu irmão Vianey foi sempre o meu irmão Vianey. Aquele me nunca ficou bravo comigo. Aquele que cuidava de mim, e me dava banho, e me trocava sem nunca, mas nunca mesmo, perder a paciência.
Meu irmão Vianey, que tomava uma colherada de Óleo de Fígado de Bacalhau só para me estimular a tomar também.
Meu irmão Vianey, que morando no Rio de Janeiro, ao voltar para Pirassununga, enchia a minha cama de bonequinhas de borracha, de livrinhos e de pequenas lembranças. E eu, ao acordar, ia me deitar com ele na cama dele...nesses momentos eu era pura alegria, porque meu irmão Vianey estava ali. E ele, mesmo cansado da viagem, sorria ao me ver ali, e juntos, nossos cabelos cacheados enchiam o travesseiro.
Meu irmão Vianey, que me apresentou Lou Reed.
Meu irmão Carlos foi, em muito, responsável pela minha intelectualização. Meu irmão Carlos, que mesmo sem nunca admitir, morria de ciúmes de mim.
Meu irmão Carlos que foi o primeiro homem a dizer, quando eu ainda era bem pequena, que eu seria uma mulher linda quando crescesse.
Meu irmão Carlos, que me apresentou livros, filmes e discos.
Meu irmão Carlos, cujas namoradas eu nunca aprovei, por puro ciúmes.
Meu irmão e eu somos tão diferentes e somos tão próximos.
Nos falamos sempre e somos tão próximos. Fico feliz em sermos próximos assim, apesar de tão diferentes.
Ele batizou meu filho mais velho e ele realmente gosta de meus meninos.
E comigo eu sei que ele é, quem ele é realmente.
Meu irmão Carlos, o cara da Unicamp, o gatíssimo cabeludo de Pirassununga.
Eu e ele sabemos.
Meu irmão Fernando foi o cara barulhento, paquerador e engraçado. Sempre rodeado de amigos, craque no futebol de salão, briguento e aguerrido.
Baladeiro, eu voltava para casa com mil recados das meninas de Pirassununga para ele. Todas pagavam pau para ele.
Meu irmão Fernando hoje é um cara muito sereno, quieto e um pouco na dele demais.
Não o vejo com a frequencia que gostaria.
Sinto saudades dele.
Ele sabe onde eu estou e eu sei onde ele está e quando nos falamos, eu guardo em meu coração o tom da sua voz.
Tenho certeza que no futuro eu vou vê-lo mais e vou conviver mais com ele.
Meu irmão Fernando está no seu caminho e eu sei que meu caminha vai cruzar com o dele em breve. Eu sei, preciso dessa certeza.
E finalmente vem o Dudu. Meu irmão Eduardo é minha irmã gêmea.
Dele nada preciso falar, a ele nada preciso dizer.
Nos entendemos pelo olhar. Ele é a pessoa que mais me faz rir nessa vida.
A nossa relação é pura intimidade, é pura devoção.
Meu irmão Dudu é perfeito como irmão, é maravilhoso como pessoa, é divino como amigo.
Ele é só coração.
É meu parceiro no futebol de botão, é meu comparsa no Vertiplano.
Entre nós dois não há problema.
Nossa convivência vem de outras vidas.
Para ele, eu sou o "Jack", ele é o "Ben".
É isso aí, eu tenho 6 irmãos.
É incrível que seja assim, não conheço outra mulher que tenha tantos irmãos (homens) assim.
Pois eu os tenho...graças a Deus!
Cada irmão meu representa algo de diferente em minha vida.
Cada um deles conta uma história única em minha existência, em tempos diferentes, com gostos e cores diferentes.
Meu irmão mais velho, o Dacinho, é meu segundo pai.
Ele tem cheiro de chocolate e de novidade.
Ele me batizou...ele me mimou imensamente na minha infância.
Ele me trazia presentes (ele os traz até hoje). Ele me enchia de atenção, e de histórias incríveis. Ele me levava ao Playcenter e me dava os discos da Rita Lee.
Ele criava personagens assustadores dos quais ele mesmo ria.
Ele é ponta firme e sei que ele me ama.
E, incrivelmente, hoje, ele faz aos meus filhos tudo o que fazia comigo. Ele sabe que, assim, continua me mimando.
Meu irmão Celso foi um enigma na minha vida por muito tempo. Ele era inteligente demais...
Eu o achava tão lindo quando eu era criança, que chegava a temê-lo.
Ele casou cedo e foi embora, viver a vida dele, mas voltava sempre...mas eu sempre o achei indecifrável.
Já há muitos anos meu irmão Celso voltou a habitar fortemente a minha vida. Sua presença constante foi um dos maiores presente que recebi.
Meu irmão Celso é doce, é sincero e sua presença é constante.
Ele é só carinho. Ele é só ternura. Nossos jantares são tudo de bom, nossos jantares são só risos e amor.
Meu irmão Vianey foi sempre o meu irmão Vianey. Aquele me nunca ficou bravo comigo. Aquele que cuidava de mim, e me dava banho, e me trocava sem nunca, mas nunca mesmo, perder a paciência.
Meu irmão Vianey, que tomava uma colherada de Óleo de Fígado de Bacalhau só para me estimular a tomar também.
Meu irmão Vianey, que morando no Rio de Janeiro, ao voltar para Pirassununga, enchia a minha cama de bonequinhas de borracha, de livrinhos e de pequenas lembranças. E eu, ao acordar, ia me deitar com ele na cama dele...nesses momentos eu era pura alegria, porque meu irmão Vianey estava ali. E ele, mesmo cansado da viagem, sorria ao me ver ali, e juntos, nossos cabelos cacheados enchiam o travesseiro.
Meu irmão Vianey, que me apresentou Lou Reed.
Meu irmão Carlos foi, em muito, responsável pela minha intelectualização. Meu irmão Carlos, que mesmo sem nunca admitir, morria de ciúmes de mim.
Meu irmão Carlos que foi o primeiro homem a dizer, quando eu ainda era bem pequena, que eu seria uma mulher linda quando crescesse.
Meu irmão Carlos, que me apresentou livros, filmes e discos.
Meu irmão Carlos, cujas namoradas eu nunca aprovei, por puro ciúmes.
Meu irmão e eu somos tão diferentes e somos tão próximos.
Nos falamos sempre e somos tão próximos. Fico feliz em sermos próximos assim, apesar de tão diferentes.
Ele batizou meu filho mais velho e ele realmente gosta de meus meninos.
E comigo eu sei que ele é, quem ele é realmente.
Meu irmão Carlos, o cara da Unicamp, o gatíssimo cabeludo de Pirassununga.
Eu e ele sabemos.
Meu irmão Fernando foi o cara barulhento, paquerador e engraçado. Sempre rodeado de amigos, craque no futebol de salão, briguento e aguerrido.
Baladeiro, eu voltava para casa com mil recados das meninas de Pirassununga para ele. Todas pagavam pau para ele.
Meu irmão Fernando hoje é um cara muito sereno, quieto e um pouco na dele demais.
Não o vejo com a frequencia que gostaria.
Sinto saudades dele.
Ele sabe onde eu estou e eu sei onde ele está e quando nos falamos, eu guardo em meu coração o tom da sua voz.
Tenho certeza que no futuro eu vou vê-lo mais e vou conviver mais com ele.
Meu irmão Fernando está no seu caminho e eu sei que meu caminha vai cruzar com o dele em breve. Eu sei, preciso dessa certeza.
E finalmente vem o Dudu. Meu irmão Eduardo é minha irmã gêmea.
Dele nada preciso falar, a ele nada preciso dizer.
Nos entendemos pelo olhar. Ele é a pessoa que mais me faz rir nessa vida.
A nossa relação é pura intimidade, é pura devoção.
Meu irmão Dudu é perfeito como irmão, é maravilhoso como pessoa, é divino como amigo.
Ele é só coração.
É meu parceiro no futebol de botão, é meu comparsa no Vertiplano.
Entre nós dois não há problema.
Nossa convivência vem de outras vidas.
Para ele, eu sou o "Jack", ele é o "Ben".
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