domingo, 5 de abril de 2009

And she says: "- You look so much younger..." and he replays : "- Just outside."

"Você está tão mais jovem!"
"Só por fora..."

Eu amo cinema. Sou viciada mesmo, adoro, vou para outra dimensão.
Quando não tinha filhos, ia todos os finais de semana ao cinema, às vezes mais de uma vez. Nunca precisei de companhia para ir ao cinema, se não havia ninguém para ir comigo, eu ia sozinha sem problema algum.

Hoje em dia, chego a tirar férias em períodos particularmente recheados de bons filmes, só para poder assistí-los no cinema.

Ir ao cinema é uma experiência única, que não tem absolutamente nada a ver com assistir a um filme em DVD, por melhor que seja o Home Theater que se tenha em casa.

Meu melhor programa é ir ao cinema com o Klau, assistir a um bom filme. Através dos filmes, revemos nossas próprias trajetórias, ou rimos de nossas próprias falhas.

Sean Penn, Javier Bardem, Daniel Day Lewis, Clint Eastwood me arrastam para o cinema, sempre.

Muitos filmes me despertam emoções fortes, lembranças de algo distante que às vezes nem eu mesma sei nomear.

Alguns poucos filmes instalam-se na minha vida, mudando-a de alguma forma.
Depois deles minha vida adquire uma luz diferente.

O pequeno diálogo que abre essa postagem faz parte de "O Curioso Caso de Benjamin Button".
Mais do que qualquer outro filme, esse me atirou em pensamentos e me tirou dos meus próprios conceitos.

Claro, todo mundo gostou do filme, alguns mais, outros menos, mas todos gostaram. O filme é muitíssimo bem feito, os atores são ótimos, o enredo bem escrito etc.

Mas não, não foi isso que aconteceu comigo. Por algo que nem sei explicar, esse filme explodiu algo em mim.
A história trouxe para a superfície da minha alma alguma luz que há tempos talvez estivesse fraca, ou esgarçou algumas fibras de minha personalidade que talvez eu nem soubesse que tinha.
Não sei, sinceramente não sei.

O que sei é que, conforme o filme se desenrolava na tela, eu, silenciosamente, agradecia por estar ali. Agradecia por ter olhos para assistí-lo, ouvidos para ouví-lo...

E conforme a linha do tempo se mostrava inexorável, eu chorava.
E o tempo, sempre o tempo ("És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho....tempo, tempo, tempo, tempo...não serei nem terás sido, tempo tempo tempo tempo").

E eu precisava assistí-lo novamente, com a minha mãe. Talvez pela proximidade de nossa relação, talvez por ela conhecer-me tão bem , talvez por eu querer que ela me conheça melhor ainda, eu não sosseguei enquanto não assisti novamente ao filme, dessa vez com ela.

Realmente não sei, não há nada que me ajude a explicar.
A verdade é que o filme me emocionou demais.

Talvez, assim como os personagens, eu também viva uma grande história de amor.
E talvez eu fique feliz por eles e fique feliz por nós.

A verdade é que, da mesma forma que aconteceu com Benjamin no final do filme, eu também espero que aconteça comigo e que eu tenha, nos meus últimos momentos, alguém que me embale.

domingo, 22 de março de 2009

CJK

Estou em Pirassununga. Estou escrevendo de Pirassununga, da casa dos meus pais.
Como sempre faço quando venho para Pira, corri muito nas ruas da cidade, ouvindo meu Ipod e suando muito (adoro!!!!) e visitei a Lelê e sua família. Dessa vez fomos todas tomar sorvete.
Como sempre, o Luigi, meu filho mais velho, me acompanhou nas minhas saídas. À exceção de quando saio para correr, ele sempre vai comigo a todos os lugares. Ele gosta de sair comigo, só nós dois; ele gosta que eu conte histórias de quando eu morava em Pira, ele gosta de participar da minha vida.

Ontem, após deixarmos a família da Lelê em casa, depois de termos tomado sorvete, fomos dar uma volta de carro, eu e o Lui.
Como sempre, senti-me impelida a passar em frente ao Kennedy, colégio onde estudei praticamente toda minha vida escolar pirassununguense.
Comentei com o Luigi que eu queria ver se era verdade mesmo que haviam pintado o colégio, eliminando sua cor clara original para um rosa amarronzado de gosto duvidoso (eu já sabia que haviam feito isso, mas pareceu-me o pretexto perfeito para passar por lá).

Realmente, meu colégio está parecendo um carro alegórico de uma escola de samba.
Eu não gostei, mas provavelmente eu não gostaria de nenhuma cor que não fosse a sua cor original, com a qual sua imagem fixou-se em minha memória.
Eu também não gostei quando construíram um novo prédio dentro do terreno da escola (mudando assim sua arquitetura original e seus espaços internos), eu também não gostei quando cimentaram o chão de terra batida e grama original (mudando assim o cheiro do meu colégio).

Porém, também mudaram os portões de acesso à entrada principal da escola. Antes, eram portões muito fechados, através dos quais pouco se enxergava. Como estou em Pirassununga apenas aos finais de semana, nunca podia ver minha escola por dentro, em função dos portões estarem sempre fechados.

Porém ontem, ao passar por lá com o Luigi, percebi que os novos portões permitem uma visão interna bem interessante. Sendo assim, parei o carro, grudei o nariz nos portões, assim como o Lui, e passei a contar para o meu filho onde ficavam as minhas classes de 1°, 2° e 3° colegial. Mostrei a escadaria por onde eu subia para a aula todos os dias, o pátio onde conversavamos e tomavamos nosso lanche (e fumavamos o nosso cigarro, antes da proibição de fumar dentro do colégio. Fumavamos muito, eu, que hoje nem fumo...mas fui uma adolescente dos anos 80 e toda a minha trupe fumava. Fumava-se nos anos 80).

Mostrei o banheiro, onde arquitetei planos mirabolantes para dar conta das coisas erradas que eu sempre queria fazer (fui uma aluna muito boa no que diz respeito às notas, mas meu comportamento passava longe do que poderia chamar-se de exemplar).

Mostrei as árvores e suas sombras, nas quais conversava sobre rock and roll, sempre. Em um tempo onde não havia Ipods, MP3s, celulares, internet, baixadores de música e nem CDs, carregávamos nossos LPs com todo cuidado e os reproduzíamos em fitas K7, para ouvirmos dentro dos carros da nossa turma.
Eu era a gravadora oficial de fitas K7, graças à minha invejável coleção de discos.

Mostrei a quadra, onde me acabava de jogar vôlei e queima, onde quebrei meu braço fugindo de um ataque mais violento em um jogo.

Mostrei ao Luigi minhas lembranças, talvez as melhores que tenho dessa época.

Mostrei a ele as lembranças de uma adolescência muito questionadora, mas também muito saúdável. Pois minha adolescência foi passada entre bons livros, bons discos, bons filmes, bons professores e boa informação. Nós líamos muito, isso é verdade.

E toda essa informação me permitia questionar, rebelar, transgredir.
Porque os adolescentes são feitos desse material.
E nesse material eu fui forjada. E esse material meu colégio me deu.

E hoje ainda, esse colégio me permite, através das minha lembranças, criar um vínculo inquebrável com meus filhos, pelas histórias contadas, pelas lembranças partilhadas.

domingo, 15 de março de 2009

Tia Yvonne

Como eu já disse várias vezes, eu gosto muito de crianças. Mais do que gostar até, eu me emociono com elas e com seu universo. Para mim, as crianças são as verdadeiras razões da vida, a única pureza genuína e tocante que conheço.
Os melhores adultos do mundo, no meu parecer, são aqueles que conseguem manter, em suas almas, o olhar infantil.

Crianças são minha paixão. Brancas, negras, pardas, amarelas, altas, baixas, meninos, meninas, ricas ou pobres.

Mas as crianças pobres tem minha especial atenção. E preocupação.
Tenho como objetivo de vida poder dedicar-me integralmente a elas.

Algumas pessoas dizem que quando tiverem criado seus filhos pretendem conhecer o mundo, ou criar animas em uma fazenda, ou ainda descansar em suas casas na praia...meu objetivo de futuro, no momento em que meus filhos estiverem criados, é dedicar-me às crianças pobres que precisarem de mim. Elas serão o mundo que quero conhecer, elas serão a fazenda que pretendo desbravar, elas serão minha casa na praia.

Há algum tempo atrás comecei a ler sobre uma mulher chamada Yvonne Bezerra de Mello.
A Yvonne é uma mulher carioca de classe alta que dedica sua vida às crianças pobres.
A Yvonne é aquela mulher que lutou pela condenação dos policiais envolvidos na Chacina da Candelária.
A Yvonne é aquela mulher que muitos chamam de louca e acusam de proteger bandidos, quando ela na verdade protege pequenas crianças, de forma que elas possam ter direito ao estudo e não se tornem bandidos. Dessa forma, a Yvonne protege também aqueles que nada fazem por essas crianças e ainda a criticam, pois a Yvonne tenta diminuir a marginalidade, fazendo com que seja possível que as peruas e os magnatas desfilem com suas jóias e carros importados sem serem perturbados pela pobreza, nos faróis e esquinas de suas cidades.
Assim eles podem desfilar suas posses sem ter que olhar suas próprias mazelas nos olhos infantis que os miram.
Podre consolo...podre ilusão!

A Yvonne tenta fazer com que essas crianças sejam vistas como as pessoas que realmente são, tendo acesso ao seu direito de ser criança, de ter estudo, de ter amor.
A Yvonne tem mais fracassos do que vitórias, porque o mundo é cruel e ele engole essas crianças. Ela perde a grande maioria delas para o tráfico e para a bandidagem, mas ela não desiste. Porque se ela consegue salvar uma, uma só, seu trabalho já é abençoado.

Eu quero ser como a Yvonne.

As crianças a chamam de tia Yvonne. Milhares de crianças vêem nela a fada boa.
Eu quero ser como ela.

Após muito ler sobre ela e sobre a fundação que ela criou no Rio de Janeiro, para apoiar e educar essas crianças (O Projeto Uerê), criei coragem e escrevi para ela. Mandei um email sem maiores pretensões, apenas parabenizando-a pelo trabalho, pela coragem e dedicação. Escrevi dizendo dos meus planos e do pequeno trabalho que atualmente faço em prol da infância marginalizada.
Escrevi a ela pedindo que não desista.

Ela respondeu-me após 10 minutos, dizendo : "Eu apareço em reportagens, mas somos todas nós que fazemos esse país andar para a frente."

Eu quero ser a tia Yvonne. E as crianças que precisarem de mim, me terão.

E através delas eu vou conhecer o mundo também, só que, diferentemente daqueles pessoas que viajam, eu vou conhecê-lo por dentro, podendo habitar o coração de cada criança que eu puder ajudar.
E esses corações, assim como os corações dos meus filhos, são o único mundo que eu quero conhecer.

sábado, 14 de março de 2009

Cacildis!

Das minhas lembranças de infância, que são vastas, variadas e maravilhosas, algumas tem especial significado para mim.
Fui uma criança que assistiu pouco televisão, porque fui criada no interior, em uma cidade calma e em uma casa com um quintal enorme e com uma piscina convidativa, portanto grande parte da minha infância foi passada nesse quintal, ou ainda na rua da minha casa, onde jogava vôlei, ou queima, ou brincava de esconde esconde com as minhas amigas.

Porém, quando o domingo chegava e a noitinha ia caindo, eu não perdia, por nada desse mundo, o programa "Os Trapalhões".

Eu amava! A musiquinha de abertura (presente na mente de gerações, tenho certeza), eu ainda cantarolo de vez em quando. As palhaçadas dos quatro manés me deixavam encantada, e não havia melhor programa de TV para mim do que esse.
Eu gostava em especial do Didi e do Mussum. Do Didi eu curtia principalmente o riso que ele provocava em seus companheiros, com suas piadas que não constavam no roteiro e que, então, pegavam a todos de surpresa.
E do Mussum eu gostava do riso solto, leve e fácil. Eu gostava da maneira como ele falava e da ginga de malandro carioca. Eu gostava dos bordões que ele usava ("quero morrer preto se eu estiver mentindo"- era o meu favorito) e da maneira como terminava as palavras (Cacildis, forevis, revólvis...).
Eu não só assistia ao programa como todo ano ia ao cinema assistir aos filmes que eles lançavam. O pai de uma grande amiga levava a mim e a ela todos os anos, invariavelmente. Hoje, olhando para trás, tenho a clara certeza que ele gostava tanto ou mais do que a gente, pois ele também era e é uma criança grande, o Seu Edgar.

Dia desses, meus filhos ganharam da minha irmã Raquel, 2 caixas com 10 filmes dos Trapalhões. Incrivelmente a genética foi infalível nesse caso e eles, que já haviam assisitido a alguns filmes deles, amam os 4, assim como eu.
Obviamente que eu aproveitei o belo presente para matar a saudade, e me diverti com meus filhos vendo todas aquelas bobagens divinas, aquela graça circense e aquele humor ingênuo.
E, meu Deus, como foi bom.

Emocionei-me verdadeiramente, ao lembrar-me da menina que fui e das risadas que dei (tantas!!!) com esses 4 palhaços.

Com olhos de adulta, pude perceber que, sem a patrulha ideológica que hoje existe, eles podiam fazer brincadeiras que hoje seriam consideradas politicamente incorretas, mas que, na época, não tiveram efeito ruim algum sobre mim (e estou certa que sobre ninguém). O único efeito que essas brincadeiras tinham sobre mim era de soltar meu riso infantil, minha gargalhada mais genuína.

E chego a pensar, e não é sem pesar, que fui uma criança criada em um mundo mais puro ou mais ingênuo do que o de hoje.

Ou talvez não e eu esteja enganada, mas o certo é que eu cresci vendo as brincadeiras desses santos trapalhões e, politicamente corretas ou não, elas só fizeram de mim uma criança feliz.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Os Souza

Meu sobrenome é Queiroz e Souza.

Queiroz obviamente vem da minha mãe, vem de uma família de portugueses, vem da minha vó Maria (Carvalho), com quem tive muito contato, que ajudou-me a ser criada, que me deu amor, amor e amor.

Souza vem de meu pai, vem de uma família cheia de mistura, vem da Bahia e de mais outros lugares do interior do estado de São Paulo, traz sangue índio e holandês, vindo da invasão holandesa à Bahia há muito tempo atrás.

Durante bom tempo de minha vida optei por assinar Fabiana Queiroz, porque esse sobrenome é menos comum que Souza, e eu queria assim, diferenciar-me.

Depois que tornei-me adulta, percebi que eu diferenciava-me mesmo sendo Souza, porque trago em minha pele morena e em meu humor sarcástico, muito do sangue deles. Nunca mais deixei de assinar Queiroz e Souza.

Sou a mais nova de uma famíla bastante numerosa, quase uma temporona. Meu pai, como eu, é dos mais novos de uma família muito numerosa também, até mais do que a minha, que também é dele.

Com isso quero dizer que alguns dos irmãos de meu pai já tinham idade avançada quando eu nasci e não me lembro deles. Muito ouvi falar deles, mas alguns acho que não conheci, como meu Tio Fonsinho e de outros pouco me lembro, como meu tio Gero.

De outros lembro-me bem, mas tive pouco contato, como minha tia Talina, minha tia Leda, minha tia Nana ou ainda meu folclórico tio Liro. Não sei ao certo porque tive esse pouco contato, mas tenho algumas teorias sobre isso, mas como teorias, vou mantê-las só comigo.

Fato é que, apesar dos pesares, acabei tendo mais contato com a família de minha mãe que com a família de meu pai, durante minha infância e adolescência.

Meu pai é o cara mais especial do mundo. Sério, não conheço pessoa mais maravilhosa do que ele. Ele é a pessoa mais correta, íntegra e honesta que já conheci, e além de tudo isso, ele é engraçado.

Meu pai tem um senso de humor todo peculiar, um pouco negro, que eu adoro. Meu senso de humor é igualzinho ao dele.

Meu pai tem olhos astutos, espertos e atentos, que vasculham o mundo ao seu redor.

Meu pai foi uma criança pobre, que subiu na vida sem nunca, jamais, pisar ou aproveitar-se de alguém. Ao contrário, se ele teve a oportunidade de ajudar alguém enquanto progredia, ele assim o fez.

Meu pai cuidou dos pobres e necessitados e meu pai cuidou dos idosos abandonados por suas famílias.

Meu pai cuidou dos seus filhos. Meu pai cuida até hoje de seus filhos.

Se ele combinasse algo comigo, eu sabia que, independente do que quer que houvesse, ele honraria o combinado.

A palavra do meu pai vale ouro.

Meu pai é Souza.



Com o passar dos anos, conforme tornei-me mulher e mãe, notei o quanto Souza sou.

Sou emotiva como ele. Eu choro, eu grito, eu amo, eu sofro, eu me preocupo, eu festejo...exatamente como ele. Sou passional como ele.
Vou do céu à terra em questão de segundos, assim como ele.

Há algum tempo, o irmão caçula de meu pai, meu tio Gentil, começou a escrever um livro, exatamente sobre os Souza. Nesse livro ele conta passagens sobre os irmãos dele (e de meu pai), sobre seus pais (meus avós) e sobre seus avós (meus bisavós).

No último final de semana que fui para a casa dos meus pais no interior, tive acesso a esse livro e devorei-o, encantada. Li sobre meus tios que pouco conheci, sobre outros que não conheci. Li sobre meu avô Afonso, de quem lembro-me só um pouco e principalmente, li sobre minha vó Rita, a quem não conheci.

Minha avó Rita morreu quando meu pai tinha só 18 anos.

Minha vó Rita, a quem eu adoraria ter conhecido.

Minha vó Rita, em quem, ao ler o livro do meu tio, pude perceber tanta semelhança comigo.

No amor e abnegação pelos filhos, no trabalho, no nunca parar, na preocupação em estar presente, mesmo que em alma, na vida dos filhos.

Minha vó Rita, que só conheço por uma foto, uma somente, na mesa do escritório do meu pai.

Sei que a leitura desse livro mexeu comigo.

Vi em alguns de meus tios, características de meus irmãos.
Vi na minha vó, características minhas. Nas cartas que ela escrevia aos filhos, conforme eles saíam de casa, pude sentir seu coração acompanhando cada uma dessas cartas, para pousar sobre o peito de seus filhos.

Olho com orgulho para o meu pai, que teve uma infância pobre, mas repleta de amor, com uma mãe divina, a quem procuro imitar na educação de meus filhos. Sei dela pelo que meu pai me conta, emocionado.

Queira Deus que um dia, quando forem adultos, meus filhos falem de mim com essa mesma emoção.

Estive esse final de semana com minha tia Lola, irmã de meu pai, que em seus 93 anos, mantém um brilho nos olhos invejável. Conversei com ela, rimos juntas e servia-a de um copo de cerveja.

Vamos almoçar juntas no final do mês, está combinado. Vou almoçar com a grande Lola.

Minha vó Rita, que eu não conheci, de algum lugar no céu, olha por mim, assim como minha vó Maria, a quem conheci tão bem.
Juntas, nós três, vamos um dia celebrar.

E eu sou Souza, com todo orgulho.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Meus filhos, meu mundo

Sou canceriana, com muito orgulho. Isso, por si só, já diz muito de mim, para quem acredita em horóscopo. Nada na minha vida é mais importante do que a minha família.
Nem a música (que, em grande parte, me faz ser quem eu sou), nem meu trabalho (e eu amo o meu trabalho), nem a dança (e eu amo dançar), nem minhas amigas e nem eu mesma. Minha família está acima de tudo e no topo da montanha, estão meus filhos.
Por eles morro, por eles mato.

Ontem, meu filho mais velho, o Luigi, foi injustamente acusado. Ele foi acusado por algo que ele não fez. Foi algo até que corriqueiro, mas o Joey, meu filho mais novo, fez algo errado e não teve coragem de assumir e, assim sendo, a culpa recaiu sobre o Luigi.
Mesmo ele negando veementemente sua culpa, ainda assim as pessoas não acreditaram nele, e mostraram desconfiança.

Isso aconteceu ontem à tarde, enquanto eu trabalhava. Quando eu fui buscá-los, o Luigi me contou o que havia acontecido. Inicialmente fiquei muito brava com o Joey, por ele não ter assumido o erro, e fiz sermão, e fiz castigo...
Depois, conversando com o Luigi, e percebendo que não haviam dado o crédito devido à palavra do meu filho, me enfureci.
Chorei, esperneei, disse a ele que a palavra dele tinha mais valor que qualquer outra coisa no mundo e que deviam desculpas a ele...

Já pisei muito na bola com meus filhos. Sou uma mãe muito presente, mas não se esqueçam...eu sou canceriana. Eu exacerbo nas emoções (boas e ruins), eu brigo, eu amo, eu sofro, eu celebro...muito.
Porém, em todas as vezes que julguei ter pisado na bola com meus filhos, eu me desculpei. Se pisei na bola por uma bronca indevida, ou por um julgamento errado, ou por um tom de voz áspero...eu pedi desculpas, em todas as vezes, sem exceção. Meu coração está tranquilo quanto à isso.

Ontem, pisaram na bola com o Luigi. E, contrariando todo o exemplo que dou, não pediram desculpas ao Luigi. E eu fiquei enfurecida.

Mal dormi essa noite. Só em pensar que eu não estava lá para defendê-lo, eu sofri, e acordei durante a noite, e chorei durante a noite.
Enquanto isso, o Luigi dormia placidamente na sua cama.

O Luigi é um cara muito legal. Ele tem 8 anos, mas ele é realmente um cara especial. Ele sempre foi daquelas crianças de quem todo mundo gosta, porque ele é simpático, bem humorado, esperto, engraçado, dono de uma auto estima inabalável e de um senso de humor incrível.
O Luigi é meu filho mais velho, ele é meu grande companheiro, ele é meu amigo do peito.
O Luigi me mostrou o maior amor do mundo!

Ontem falharam com o meu filho. E eu fiquei tão triste, e ele, percebendo isso, tentou me acalmar, me consolar, me mostrar que não valia a pena ficar tão brava por tão pouco...mas eu sou canceriana, e pelos meus filhos eu morro, eu mato.

Quando o dia amanheceu, a primeira coisa que fiz ao colocar meus pés para fora de casa foi falar às pessoas que haviam pisado na bola com o Luigi, o que eu achava da postura e do ato delas e que, mesmo inconscientemente, elas haviam falhado com meu menino.
E disse ainda que o coração do Luigi é tão grande, e ele é tão perfeito, que mesmo na ausência das desculpas delas, ele já as havia perdoado.

Eu sei que essas pessoas que o magoaram gostam dele. Mas elas não haviam pedido desculpas a ele, mas eu as fiz pedir.
Porque meu filho é lindo e ninguém nesse mundo vai magoá-lo sem que eu tente defendê-lo.
Porque o coração do meu filho é enorme e, dentro de sua enormidade, ele deve ser respeitado.

E o Luigi sorriu ao meu ver defendendo-o. E ele sabe que é assim mesmo que a mãe dele é.
O Lugi sabe que, pelos meus filhos, eu morro, eu mato!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Princesa Lelê

A Lelê tem quase 5 anos. Eu a conheci pessoalmente há 5 dias, e ela já mudou a minha vida.
A Lelê tem os cabelos lisos, franja, dentinhos pequenos, pernas compridas que querem pedalar uma bicicleta e o sorriso mais puro do mundo.
A Lelê tem uma voz linda, que narra o que acontece ao seu redor. A Lelê tem dedos ávidos por explorar a vida, e a cada exploração ela ri, e gargalha, e fica feliz.
A Lelê tem olhos castanhos, que fazem o seu rosto ser mais bonito ainda. Mas a Lelê não pode ver. A Lelê tem quase 5 anos, mas ela não pode ver, porque a Lelê é deficiente visual.

A Lelê foi colocada na minha vida. Quem a colocou na minha vida eu não sei dizer, mas prefiro pensar que foi Deus quem a colocou lá.

Eu fui conhecer a Lelê porque não pude fazer nada diferente disso. Foi impossível fugir. Desde o momento que soube que ela existia, eu só pensava nela, em como ela seria, e no que eu podia fazer para ajudá-la.
Eu fui conhecer a Lelê com a pretensão de poder ensinar algo, ajudar em algo. Mas a Lelê me mostrou que é ela quem vai me ensinar, é ela quem vai me ajudar.

A Lelê é linda de morrer!!!!

E a partir do momento que eu a vi, e conversei com ela, e ela me tocou, e passou suas mãos pelas minhas, e eu a vi explorando o quintal, rindo, eu corri atrás de todo o tipo de informação que eu pudesse ter que me ajudasse a mantê-la perto de mim.

"Você viu, um passarinho passou aqui" - ela me disse, usando sua audição apurada.
"Você sabe nadar, eu também vou saber, vou aprender..." (com certeza vai Lelê, você pode tudo!!!).

E eu fiquei surpresa em ver uma menininha tão pequena ser tão destemida. E eu fiquei tão agradecida de poder conhecê-la, de poder conversar com ela.
Eu disse a ela que eu quero ser amiga dela, quero poder conversar com ela, visitá-la sempre. Porque eu não vou mais conseguir ficar longe dela.
E fiquei tão feliz, porque ela deixou, ela me aceitou como amiga.

A Lelê se tornou parte de mim, e minha vida nunca mais será a mesma. Quero acompanhar seu crescimento, quero ter orgulho em dizer que faço parte de algo tão grandioso, tão perfeito. Porque, mesmo que digam o contrário, a Lelê é perfeita!!!!!

A Lelê não pode ver, mas a Lelê enxerga. E eu gosto de pensar que a Lelê enxergou em mim um pouco de amor, um pouco de carinho e pureza.

Eu fui até ela para ajudá-la. Mas a Lelê, com seus 5 anos incompletos, é que me ajudou. Ela me ajudou, dentro da improbabilidade do ato, a enxergar melhor. Porque depois da Lelê, o mundo tem outra cor para mim, e isso eu devo à ela.
Obrigada Lelê...

Eu vou mover montanhas por ela.

A Lelê é uma princesa.
E como tal será tratada!